Toda a verdade sobre esta questão, sobre a indústria alimentar e ainda sobre o tamanho da sua barriga.

Acredita que todas as massas integrais são saudáveis?
Talvez sejam. No entanto, há cada vez mais especialistas e desportistas a considerá-las uma armadilha perigosa, pois estão convencidos de que algumas massas apresentam uma substância traiçoeira no trigo e noutros derivados que provocam o aumento do peso: o glúten.
Evitar o glúten converteu-se num grande negócio que teve o seu início nos Estados Unidos, onde existiu um aumento aproximado de 30% por ano na venda de produtos sem glúten entre 2006 e 2010, de acordo com um recente estudo de mercado. Em Portugal, os maiores interessados na comida sem glúten são os celíacos e estima-se que entre 1 a 3% da população seja celíaca. No entanto, “existem apenas cerca de 8.000 celíacos diagnosticados, o que indica que a doença celíaca é uma doença largamente subdiagnosticada, estimando-se que possam existir entre 70.000 a 100.000 celíacos por diagnosticar em Portugal”, indica a dra. Rita Jorge, dietista pertencente à Associação Portuguesa de Celíacos.

A proliferação dos produtos sem glúten levou a que, até mesmo as pessoas que não padecem desta doença, estejam a optar por esta restrição alimentar.

A dúvida da “moda”
Tal como costuma acontecer com quase todas as dietas que estão na moda, também esta conta com uma celebridade a dar a cara. Trata-se do tenista sérvio Novak Djokovic que segue uma dieta sem glúten, apesar de não ser celíaco, desde que descobriu ser alérgico ao componente. Mas este não tem de ser o seu caso.
A intolerância ao glúten é um dos aspetos da doença celíaca e o seu diagnóstico “assenta na avaliação de vários aspetos clínicos, serológicos, genéticos e histológicos. Com exceção dos aspetos genéticos, a avaliação de todos estes fatores deve realizar-se enquanto o doente faz uma alimentação com glúten, uma vez que a instituição de dieta isenta de glúten vai alterar o padrão clínico, serológico e histológico, tornando-se praticamente impossível o reconhecimento do aspeto característico da doença”, explica a dra. Ana Pimenta Martins, nutricionista da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e pertencente ao corpo técnico de assessoria à direção da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.
A verdade é que a proliferação deste tipo de produtos sem glúten levou a que, até mesmo as pessoas que não padecem desta doença, estejam a optar por esta restrição alimentar, se bem que, “para quem não é portador de doença celíaca, não necesita realizar uma dieta isenta de glúten”, indica.

Então, o que é o glúten?
Trata-se de uma proteína que se encontra em quatro cereais: trigo, centeio, cevada e aveia, assim como em alguns aditivos existentes em alimentos comuns. É um dos responsáveis por dar elasticidade à massa e tornar numa delícia a maioria dos biscoitos de que você gosta! Contudo, para as pessoas com doença celíaca “a ingestão de qualquer vestígio destes quatro cereais, por mínima que seja a quantidade, é prejudicial e pode provocar lesões no indivíduo celíaco, mesmo que não apresente sintomatologia imediata. A longo prazo, o não cumprimento da dieta isenta de glúten provoca automaticamente lesões no intestino que podem favorecer o aparecimento de neoplasias do tubo digestivo”, alerta a dra. Rita Jorge.
De acordo com uma investigação levada a cabo em 2003 pela Universidade de Maryland (EUA), a doença celíaca afeta uma em cada 133 pessoas e, segundo o dr. Paulo Souto, gastrenterologista e vogal da direção da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, “pode manifestar-se em qualquer idade e atinge ambos os sexos, embora nos adultos seja mais frequente no sexo feminino”. Por ser determinada geneticamente, “apenas ocorre em algumas pessoas com predisposição, se bem que os familiares de doentes com doença celíaca e indivíduos com determinadas doenças, como a diabetes mellitus tipo 1 ou a tiroidite auto-imune, apresentam uma probabilidade maior de virem a desenvolver doença celíaca”.

Os sintomas
Podem ser diferentes de indivíduo para indivíduo e, nos adultos, “podem manifestar-se através de diarreia, distensão abdominal e emagrecimento, assim como obstipação, cansaço fácil, anemia por carência de ferro, osteoporose e alterações do comportamento, neurológicas ou da pele”, explica o gastrenterologista. Se eventualmente sentir algum destes sintomas, marque uma consulta com o seu médico de família para comprovar se tem algum tipo de intolerância alimentar.

Pode-se manifestar em qualquer idade e atinge ambos os sexos, embora nos adultos seja mais frequente no sexo feminino.

A má reputação
O glúten tem ganho ‘má fama’, porque há quem diga que provoca o aumento de peso. Segundo estes teóricos, a Humanidade não desenvolveu a capacidade ideal para digerir certos tipos de grãos, como o trigo e a cevada, que contêm glúten. Por sua vez, o gastrenterologista Paulo Souto afirma que “o glúten é uma proteína e nada tem a ver com o aumento de peso. As dietas sem glúten podem levar à diminuição ou aumento de peso da mesma maneira que outras dietas, dependendo sempre do teor calórico dos alimentos, nomeadamente da quantidade de hidratos de carbono que vai acabar por ingerir”. O que é correto afirmar é que, ao consumir menor quantidade de glúten se pode perder peso, não pelas razões dos que defendem uma dieta sem glúten, mas sim pelo facto de o glúten estar presente numa grande variedade de produtos alimentares, muitos deles produtos de panificação, massas, farinhas e produtos de confeitaria.

A promessa de uma verdadeira perda de peso é muito sedutora para os doentes celíacos, mas você não se deve deixar enganar, pois os produtos sem glúten contêm tantas calorias como os produtos originais.

Mas engorda ou não?
O glúten encontra-se em muitos alimentos que provocam o aumento de peso, tais como “pizzas, massas, bolos, pão, cerveja e em muitos outros produtos, por conterem aditivos com glúten”, informa o dr. Paulo Souto. Ao evitar comer alimentos com glúten, irá inevitavelmente optar por outros alimentos muito mais saudáveis, tais como “milho, arroz, batata, soja, leite, fruta, vegetais, carne e peixe”, acrescenta.
Uma dieta isenta de glúten não é, por si só, sinónimo de uma dieta saudável, já que quantos mais tipos de grãos consumir, maior será a quantidade de nutrientes presentes na sua alimentação. Mas regressando à questão do aumento de peso provocado pelo glúten, de acordo com a dra. Ana Pimenta Martins, “não há estudos científicos que sustentem a ideia de que o glúten engorda. O que acontece é que, pelo facto de o glúten estar presente numa grande variedade de produtos alimentares, grande parte dos quais produtos de panificação, confeitaria, farinhas e massas, quando consumidos de forma excessiva e aliados ao sedentarismo, podem contribuir para o ganho de peso, à semelhança do que acontece com o consumo excessivo de outros alimentos”.
Para se perder peso é necessário ter uma alimentação variada e nutricionalmente equilibrada, garantindo ao organismo todos os nutrientes de que necessita e aumentar o dispêndio energético através da atividade física. A promessa de uma verdadeira perda de peso é muito sedutora para os doentes celíacos, mas você não se deve deixar enganar, pois os produtos sem glúten contêm tantas calorias como os produtos originais e, mesmo seguindo uma dieta isenta de glúten, pode engordar. Para cimentar ainda mais esta ideia, saiba que um estudo realizado em 2006 pelo Journal of Gastroenterology analisou durante dois anos um grupo de 188 doentes celíacos que seguia uma dieta sem glúten e concluiu que 81% deles engordou. Na nossa opinião, se decidir deixar de comer alimentos sem glúten, aproveite esse novo hábito alimentar como uma forma de repensar tanto a sua alimentação como o seu estilo de vida. Afinal de contas, não há motivo para você descartar o consumo de glúten quando as suas verdadeiras inimigas têm apenas um nome: calorias. E nunca é demais relembrar: treinar é crucial!

Efeitos secundários: Comida saudável em excesso

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