O dia passa a correr. Acordamos, cuidamos de nós, dos filhos, dos cães e tomamos o pequeno-almoço. Pelo meio, vamos umas 20 vezes ao Facebook e ao Instagram. Vemos os posts dos amigos que nunca conhecemos e até lhes colocamos “Gosto”. Partilhamos a notícia que lemos só porque toda a gente o está a fazer. Tiramos a selfie no elevador ou postamos a fotografia da comida matinal. E vamos para o trabalho. Uppss, bom dia!!! Esquecemo-nos sempre de dizer bom dia às pessoas que vivem lá em casa, que é como quem diz à família. Mas calma: o semáforo ficou vermelho e tenho 15 segundos para ver o Instagram. De repente, 18 mensagens por ler no Whatsapp. Depois, já que se está de telemóvel na mão, vale a pena rever quantos “Gostos” teve a fotografia do pequeno-almoço. E chegamos ao trabalho. Ligamos o computador, vamos buscar um café e, pimba, abre-se novamente o Facebook no PC porque de certeza que já lá moram mais uns likes e isso enche-nos o ego.

O nosso dia a dia é este: redes sociais-trabalho-redes sociais-casa-redes sociais. Jantar? Sim, mas com o smartphone ao lado. Assim como assim, os filhos estão a ver o Youtube enquanto jantam e a mulher a ver as InstaStories. Portanto, deixa lá ver o que os outros estão a postar, sobretudo aqueles que nunca conhecemos na vida, mas achamos que são grandes amigos só porque nos metem “Likes”. E o dia está quase a terminar… Adormecemos com o telemóvel ao colo, claro, mas só depois de ver qual das 72 fotos que partilhámos ao longo do dia fez mais sucesso. E andamos nisto… Estamos neste círculo – sabemos que incorreto -, mas pouco ou nada fazemos para sair dele. Temos plena noção que devíamos dar mais importância às pessoas e menos às redes sociais, mas até é giro rirmos sozinhos para o telemóvel e ter 42.4k de amigos virtuais!

As redes sociais são ferramentas fantásticas, mas podem rapidamente tornar-se na droga deste século

Nota:
Tudo o que leu até aqui tem obviamente uma base metafórica, mas pode tornar-se tão real quanto o facto de você nos últimos 30 minutos ter ido ao Facebook pelo menos umas três vezes. Certo? Há que (querer) refletir sobre isto. Sobre o tempo que não temos para nós, que não damos à família nem aos amigos. Há que viver mais a nossa vida e menos a dos outros. Há que pensar que os nossos filhos reproduzem o que nós fazemos. Há que ir ter pessoalmente com os nossos amigos e dar-lhes um abraço de parabéns, pois uma SMS não chega. Enfim, há que encontrar um equilíbrio entre tudo isto.

São vários os estudos que já confirmam índices preocupantes de dependência e há mesmo um paralelismo entre a ressaca e o desespero de não ter bateria no telemóvel para conseguir consultar as redes sociais. O meu desafio passa, assim, por vos desafiar a partilhar este artigo de opinião. É muito provável que uma boa parte dos “viciados” em redes sociais o irá ler. E quiçá mude alguma coisa. Portanto, quando falamos em melhor rede social é, obviamente, aquela que devemos recuperar e que está relacionada com os momentos “ao vivo” com a nossa família, amigos, colegas de trabalho, entre outros. Viver mais olhos nos olhos e menos olhos no telemóvel. #redesocialhumana

Por Pedro Lucas
Diretor Men’s Health

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