Reebok Crossfit Games 2018: 3 portugueses entre os homens em melhor forma da Europa

 

O desporto que conquistou o mundo inteiro desperta cada vez mais interesse em Portugal. O nível dos atletas nacionais já está num patamar bastante elevado e prova disso foi termos apurado três crossfitters portugueses para participar no Meridian Regional dos Reebok Crossfit Games 2018. Claro que a Men’s Health não ia deixar passar isto!
Vimos as datas, apanhámos um avião, aterrámos em Madrid e fomos diretamente para o pavilhão Caja Mágica, o equivalente ao nosso Altice Arena. A fila para entrar já é significativa e sente-se no ar a paixão por esta modalidade fisicamente intensa.

LA CAJA MÁGICA
Entramos no pavilhão – capacidade para 12.400 pessoas – e está cerca de “meia casa” a puxar pelos atletas (masculinos, femininos e equipas mistas). Mas na verdade, mais parece que o pavilhão tem a lotação esgotada, tal é o entusiasmo com que o público brinda os crossfitters. Assobios, palmas, gritos de incentivo (em várias línguas), claques com tarjas, camisas havaianas, chapéus de bruxa ou perucas coloridas estão presentes nas bancadas. Lá em baixo na arena, os atletas são mais discretos e competem apenas de t-shirt ou em tronco nu.

Mas há algo comum entre os atletas e os apoiantes nas bancadas: todos têm troncos em V, costas musculadas, ombros largos, pernas fortes como ferro e bicípites volumosos

O músculo domina esta modalidade e o Crossfit, uma marca registada pela Reebok, é o desporto rei para tornar homens e mulheres comuns em verdadeiros super-homens e super-mulheres! Impressiona só de ver… disso não restam dúvidas.

VAMOS AOS HEATS
A arena está dividida em 10 pistas e o WOD do Heat 1 do Men Event 3 é composto por muscle ups + handstand walk + single leg squats. O primeiro português a entrar em ação é Francisco Godinho (CrossFit Alvalade), mas a parte do handstand demora a “pegar” e perde imenso tempo. Em exclusivo para a Men’s Health desabafa que uma lesão o está a impedir de dar o melhor. “No início da semana lesionei-me na zona lombar, mas acreditei que ia ficar melhor até ao início dos Crossfit Games na 6ª feira. Nessa manhã até acordei a sentir-me melhor, mas o primeiro WOD tinha uma fase na passadeira e isso era o pior que me podia acontecer. O impacto constante dos calcanhares agravou a lesão na lombar. Este último WOD foi terrível. Eu nem sinto dores musculares provocadas pelo esforço. Só mesmo dores físicas. Acabei o WOD como se tivesse feito um treino normal, não consegui ir ao limite. A lesão não me deixou dar o máximo. Eu queria, mas o corpo não lidou com as dores lombares”. Mesmo assim não desistiu e só terminou quando a buzina tocou. “Não dava para mais”, confessa.
O segundo atleta nacional começa na pista 10. As expectativas são altas e João Ferreira (CrossFit OPO) quer provar que não veio de propósito do Porto a Madrid para brincar. A handstand walk volta a pregar partidas. Só que a rapidez com que “despacha” os single leg squats permitem terminar a prova antes do tempo limite. “Já quase nenhum atleta tem dificuldade em andar em pino. Só que estes obstáculos foram decisivos. Ainda para mais se caíssemos a meio tínhamos de recomeçar do início. Caí três vezes e chegou a ser frustrante, pois é um exercício com uma fadiga muscular enorme para os ombros. A verdade é que acabei o WOD a 5 segundos do final e nos treinos nunca tinha sequer acabado”.
A concluir o Heat 3, Pedro Bartolo (CrossFit Alpha Den) respira fundo antes de começar. Assim que ouve a buzina lança-se às argolas e prova que os muscle ups não vão ser uma dificuldade. Mas a hanstand walk não é mesmo o exercício mais indicado para os crossfitters portugueses e Bartolo também perde imenso tempo. Mas afinal o que se passa com este movimento que está a desesperar tantos atletas? “Não é fácil superar a handstand walk. Nem é tanto o equilíbrio necessário, mas este ano inovaram e colocaram escadas e uma rampa no percurso e não foi fácil superar, porque era preciso passar tudo de uma vez sem cair. Tinha de ter treinado mais tempo suficiente para este exercício, mas na minha box não tinha as tais escadas e rampa. O chão aqui também é almofadado e isso retira equilíbrio na hora de apoiar as mãos. Mas não sou um homem de desculpas. Sem dúvida que para o ano vou estar muito mais forte nesta handstand walk”, afirma com toda a convicção.

TEMPO DE DESCANSO. O QUE É ISSO?
Após um curto intervalo para os atletas descansarem e recuperarem força e motivação, a Men’s Health aproveita para almoçar. Se estamos à espera de encontrar healthy food, estamos bem enganados. Hambúrgueres, sushi, cachorros quentes e sandes com chouriço ibérico predominam nas barracas de comida. Apostamos numa paella. Afinal de conta estamos em Madrid.
A comida está boa mas ouvem-se aplausos vindos de dentro da Caja Mágica. Toca a despachar. O Heat 1 do Men Event 4 está a ser anunciado e começa com Francisco Godinho. O WOD é composto por snatches e burpees e ele não consegue concluir o Heat a tempo:

“As dores de novo. O corpo não estava cansado, mas as dores eram tantas que não consegui conter as lágrimas. Mas isto não acabou. Ainda não vou desistir. Nem pensar”

Na pista 10, o protagonista é João Ferreira e parece ser a aposta certa. O atleta português fica em terceiro lugar neste Heat. Pedro Bartolo é o último português em ação. Arranca com espírito de campeão e quase consegue concluir o Heat. Ficou realmente perto. “Foi mesmo em cima do tempo limite. Fiquei apenas a três repetições de acabar o WOD. Tinha a meta ali mesmo à frente. Mas valeu a pena”.

7.000 A PUXAR POR 1
É verdade! Um dos momentos-chave do dia acontece no Women Event quando uma das atletas femininas fica claramente para trás. Já todas completaram o Heat e ela nem a meio vai. O público apercebe-se, as outras crossfitters também e em uníssono puxam por ela com gritos de incentivo. O pavilhão quase vem abaixo. É o suficiente para ela terminar em glória. Impressionante! Mais de 7.000 pessoas a puxarem por uma única atleta. Este é o espírito desta modalidade. Isto é companheirismo. Isto é o Crossfit. Se ninguém sabia o que é pertencer a este mundo tão especial, ficou rapidamente a saber. Até arrepia!
No final do dia, Pedro Bartolo ficou em 18º lugar (174 pontos) na classificação do Meridian Regional, João Ferreira em 25º (144 pontos) e Francisco Godinho em 38º (38 pontos).

A TAREIA FÍSICA CONTINUA
No dia seguinte, o pavilhão já está com mais pessoas nas bancadas. Assim que entramos vemos cordas montadas e máquinas de remo para a competição por equipas. Isto hoje promete, dizemos nós. E estamos certos. O Heat 1 e 2 do Men Event 5 deixa de ter 10 atletas e agora vão competir 20 ao mesmo tempo. O WOD que os espera é composto por handstand push ups + toes-to-bar + dumbell box step overs + dumbell overhead lunge.
Na pista 8 está João Ferreira e na pista 19 Francisco Godinho. Pedro Bartolo só entra no Heat 2 na pista 18. Este é o WOD mais brutal dos 3 dias. Cansa só de ver. Os atletas foram todos ao limite. No final dos Heats não há um atleta em pé. Nenhum! Estão todos estendidos ou ajoelhados no chão. Dois deles agarram-se rapidamente à toalha para não vomitarem. Apenas quatro atletas dos 40 conseguem concluir este WOD. Se restavam dúvidas que esta modalidade é a elite do fitness, estão desfeitas para sempre. Estes homens são autênticas máquinas e mesmo assim não houve um a terminar de pé. Incrível!

AGORA SIM… CHEGOU A VEZ DAS CORDAS!
O barulho de aparafusadores elétricos ecoa pelo pavilhão. A organização volta a montar as cordas para os atletas subirem a pulso. Sente-se a expectativa a crescer nas bancadas. Este é um dos exercícios mais exigentes. Depois de tudo preparado, eis o WOD: rope climbers + thrusters. Dito assim parece fácil. Não é.
Francisco Godinho – mesmo com dores na região lombar – respira fundo e compete em grande. Pedro Bartolo e João Ferreira não ficam atrás. É a derradeira oportunidade dos crossfitters portugueses aproveitarem este grande palco do Regional. Verdade seja dita, nenhum dos três desiludiu, muito pelo contrário. Godinho impressionou nos thrusters (incrível como levantou a barra com tanta fluidez, ainda para mais com uma lesão lombar) e concluiu o Heat. João Ferreira deu cartas nas subidas à corda e acabou o Heat antes dos 7 minutos estipulados para este WOD. Pedro Bartolo é que apresentou bastantes dificuldades – ficou em último -, mas com a ajuda do público foi buscar todas reservas de força e acabou em 6 minutos e 36 segundos sob uma enorme ovação geral. Portugal acabou em grande e teve o reconhecimento do público. Afinal de contas, foi a nossa primeira vez.

VOMITEI PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA
No final dos Reebok CrossFit Games fomos dos primeiros a chegar aos atletas e, ainda com muito suor à mistura revelam em exclusivo à Men’s Health a sensação de terem estado pela primeira vez nos Reebok Crossfit Games. “Isto é totalmente diferente daquilo que estava à espera. Muito mais intenso e real do que aquilo que imaginava”, diz Pedro Bartolo. “Este é um mundo completamente à parte do que estava à espera. Ao contrário das competições nacionais, aqui estão os 40 melhores atletas, 20 dos quais estão num nível completamente superior e os outros 20 estão ao nosso nível. Isto faz com que qualquer desafio seja feito numa intensidade muito alta, ao rubro, ao máximo. E tudo isto só para não ficar em último”. Foste mesmo ao limite, certo? “Mais além! Já fiz muitas competições nacionais e internacionais e já me levei ao limite, pensava eu. Aqui, no final do primeiro dia quando saí do segundo WOD, caí para o chão com duas cãibras nas pernas e uma cãibra abdominal. Depois disto, ainda vomitei pela primeira vez na vida. E bastaram dois treinos! Fiquei com uma imagem minha do género: ‘Tu andaste a brincar nos últimos três anos. Isto é mesmo a sério. Isto é que é mesmo competição”. João Ferreira partilha o entusiasmo pela primeira experiência. “Foi perfeita. Vou partir para a próxima época muito mais preparado. Vou retirar daqui o que correu bem e o que correu mal, se bem que do meu ponto de vista nada correu mal, porque esta foi a minha primeira vez e, como tal, não tenho qualquer comparação com os anos anteriores. Este vai ser o meu ponto de partida”. E foi muito bom. Francisco Godinho chega ao pé de nós com um sorriso que se vê ao longe. “Hoje tive a melhor manhã dos três dias! Fiquei muito surpreendido pela positiva. A minha dor lombar abrandou e consegui dar o meu melhor sem ter ficado com lágrimas nos olhos. Saio daqui a pensar que posso explorar o meu nível e estou muito confiante para regressar muito mais forte para o ano. Eu vou sonhar mais alto. Isto é um começo, mas fiquem para ver. Eu estou aqui e vou lutar. Não vou desistir à primeira”. Assim é que é falar!


O QUE FALTOU PARA CHEGARMOS À GRANDE FINAL

Os CrossFit Games dividiram o mundo em 18 regiões – 8 nos Estados Unidos e 10 Internacionais – e qualquer pessoa podia participar e provar que é o atleta mais em forma de cada região. O número de atletas apurados por região varia e depois são inseridos em nove competições Regional:
– East Regional
– Atlantic Regional
– Central Regional
– South Regional
– West Regional
– Latin America Regional
– Europe Regional
– Pacific Regional
– Meridian Regional (onde Portugal se insere)
Os melhores cinco homens, mulheres e equipas avançam das regiões East, Atlantic, Central, South, West, Europe e Pacific. Do Meridian Regional, onde participaram os crossfitters portugueses, apenas são apurados os melhores quatro homens, mulheres e equipas. O melhor português – Pedro Bartolo – ficou em 19º lugar. Já não deu para seguir em frente. Por sua vez, da Latin America Regional, só se apura o melhor homem, mulher e equipa. De forma a manter o equilíbrio (e a justiça) nas provas, todos as regiões apresentam os mesmo WODs, quer o Regional esteja a decorrer nos Estados Unidos, Brasil ou em Espanha.
Depois disto tudo, os melhores dos melhores são apurados para a grande final que vai decorrer no Alliance Energy Center, no Wisconsin (Estados Unidos), nos dias 1 a 5 de agosto.

Relativamente à classificação final deste Meridian Regional, Pedro Bartolo ficou em 19º lugar (242 pontos), João Ferreira em 26º (194 pontos) e Francisco Godinho em 38º (64 pontos). Convém dizer que em primeiro lugar ficou Rasmus Andersen (506 pontos), em segundo Elliot Simmonds (488 pontos), em terceiro Lukas Esslinger (488 pontos) e em quarto lugar – a última posição a dar acesso à grande final – ficou Willy Georges (474) pontos.
Está na cara que o Meridian Regional foi um sucesso e à saída do evento há uma última surpresa: estão a distribuir flyers para uma after-party gigantesca. Mas nós temos um avião para apanhar. Azar. Para o ano há mais!

PRÉMIO FINAL DE 300.000 DÓLARES!
Além do título “Fittest Man on Earth”, o vencedor leva um prémio muito apetecível para casa. A Men’s Health teve acesso aos estatutos dos Reebok Crossfit Games e este ano os prémios vão ser atribuídos assim:

Top Overall Finish – categoria individual
Primeiro lugar – 300.000
Segundo lugar – 100.000
Terceiro lugar – 75.000
Quarto lugar – 50.000
Quinto lugar ao oitavo lugar – 35.000, 30.000, 27.000 e 25.000 (respetivamente)
Nono lugar ao vigésimo lugar – 23.000, 21.000, 18.000, 16.000, 14.000, 13.000, 12.000, 11.000, 10.000, 9.000, 8.000 e 7.000 (respetivamente)

Top Overall Finish – Equipas (prémio por equipa)
Primeiro lugar – 100.000
Segundo lugar – 60.000
Terceiro lugar – 30.000
Quarto lugar – 20.000
Quinto lugar – 15.000

Os Reebok Crossfit Games chegaram, viram, venceram e convenceram e uma coisa é certa: para o ano há mais. E com portugueses!
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