É este o segredo dos quenianos para serem tão rápidos

Para “chatear” um corredor queniano basta perguntar-lhe: “Qual é o seu segredo?”. Os habitantes de Ite, uma aldeia do Quénia considerada uma espécie de fábrica de medalhistas em meia distância, já ouvem esta pergunta há mais de 20 anos. Os nativos atribuem este êxito ao trabalho duro e à dedicação. Mas, de facto, que outra resposta poderiam dar? À volta do seu “segredo” foram construídas inúmeras teorias e o calçado barefoot é apenas mais um produto da intenção ocidental em aproximar-se do fator X africano. Sem muito êxito. Mas se há coisa de que ninguém duvida é que os desportistas do Quénia e da Etiópia apresentam um físico mais equilibrado. E, lá está, insistem em treinar descalços. Mas isso nem é a maior vantagem.

Ao fim e ao cabo, qualquer pessoa pode descalçar-se e começar a correr. O mais complicado é simular na rua ou no ginásio um planalto africano a 1.300 metros de altitude. Os atletas quenianos, por treinarem e dormirem em altitude, produzem mais glóbulos vermelhos de uma forma natural e os investigadores aperceberam-se de que isto os diferencia de todos os outros atletas. Significa que quando competem mais próximo do nível do mar têm um extra de oxigénio disponível na corrente sanguínea. No entanto, não precisa de ir a África para testar a teoria: basta uma câmara de hipoxia para simular a altitude, reduzindo o oxigénio do ar. E foi isso que a Men’s Health fez (na galeria de imagens acima pode ver quantos quilómetros tem de correr para queimar as calorias de cada alimento).

Para quantificar esta teoria, o investigador John-Paul Nicholas usou um pulsómetro. A 1.300 metros indicava 70 ppm, mais 20 do que o habitual. Os níveis de saturação do oxigénio no sangue baixaram para 93% (o normal são 98%) e o sono foi fantástico. Com o ânimo acrescido após várias noites de sono reparador, John-Paul subiu a uma altitude de 3.048 metros. A recompensa foi sentir-se tonto e sem conseguir parar de rir.

Ao fim de uma hora teve de sair da tenda por falta de fôlego. Após várias provas de tentativa-erro, decidiu descer até aos 1.675 metros e substituir um a dois dos treinos habituais de 5 quilómetros por mais tempo na tenda. Após duas semanas, reparou que era muito mais fácil correr durante períodos prolongados, mas na terceira semana já não sentiu qualquer melhoria.

A verdade é que depois, numa competição, conseguiu baixar alguns segundos ao seu recorde pessoal. E se isto foi conseguido com pouco tempo de treino em altitude, basta agora imaginar do que os quenianos são capazes por treinarem naquela realidade desde que nascem.

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