Tó Cardoso: O melhor bodyboarder nacional falou em exclusivo com a MH!

O atleta português, um dos nomes incontornáveis do panorama do bodyboard internacional, fez uma pausa momentânea às ondas e foi entrevistado em exclusivo para a Men’s Health.

Antes de mais, quem é Tó Cardoso, o homem fora de água?
Nasci na Nazaré onde vivo atualmente e tenho 23 anos. Sou um apaixonado pela vida, pela natureza, gosto de viajar, aproveitar o meu tempo livre com a família, acompanhado de amigos, dedico-me ao treino físico.

E dentro de água, já com os pés de pato calçados e prestes a apanhar uma onda, “transformas-te”?
Entro noutro mundo, num ambiente onde me sinto feliz. Por vezes sinto-me mais calmo e noutras vezes mais eufórico. Diria que depende sempre do estado do mar e das condições para a prática. No geral tento aproveitar quaisquer condições para treinar, para evoluir e corrigir os meus erros. Sou muito competitivo desde pequeno, daí ter sempre o sonho de competir no Circuito Mundial.

É sabido que quem nasce na Nazaré não consegue ficar indiferente ao apelo do mar. Mas num país com tanta cultura futebolística, por que te dedicaste ao bodyboard?
Comecei aos 12 anos, em 2004. O facto de viver perto do mar influenciou muito. Todos os que vivem na Nazaré sentem a presença do mar de uma forma especial, uns relacionam-se e outros não mas todos o respeitamos da mesma forma. Nasci a brincar na areia com amigos, sempre perto da praia, até que um dia dei por mim a olhar fixamente para o ambiente na água. Reparei no divertimento e no desporto radical que era o bodyboard. O grupo era mais velho mas despertou o interesse e pedi uma prancha aos meus pais. Estavam receosos e avisaram-me que o mar era perigoso e que não me queriam em aventuras, por isso, esperaram pelo verão para me inscreverem na escola local de surf e bodyboard. As pessoas à volta do desporto, a união, o divertimento e o espírito de liberdade fizeram de mim um miúdo ainda mais apaixonado pela praia e pelo mar.

Desde a primeira aula que fiquei viciado, a minha mente não descansava enquanto não voltasse à água e rapidamente evoluí.

Foste “só porque sim”, ou houve alguém a puxar por ti para experimentares?
Nunca ninguém me incentivou a experimentar. Foi pura curiosidade e gosto pelo mar.
Basicamente não parei de chatear a minha mãe para me comprar o meu próprio material de bodyboard depois da primeira aula de aprendizagem. Passado um mês já estava a evoluir muito e o meu professor decidiu incluir-me no grupo da competição onde iria evoluir mais. Senti um incentivo muito maior quando me rodeei do único grupo de bodyboarders da Nazaré.

Qual foi o momento-chave em que sentiste que a tua carreira estava prestes a ter um bom futuro?
Quando ganhei pela segunda vez consecutiva o título de Campeão Europeu de Juniores. Nesse ano já tinhas excelentes resultados na categoria sénior e tinha bons feedbacks da parte dos melhores bodyboarders nacionais.

O curso de Ciências do Desporto tem sido uma mais-valia enquanto atleta?
Aprendi muito sobre desporto, principalmente, nas disciplinas em que consegui fazer o ‘transfer’ para os desportos de ondas. A meu ver, um atleta tem de dominar alguns conceitos do desporto, princípios do treino, funcionamento do corpo humano, aprendizagem e pedagogia, processos fisiológicos, nutrição. São tudo conteúdos necessários e importantes para o nosso desenvolvimento como atletas profissionais.

E como consegues conciliar a vida pessoal, a vida profissional e a vida escolar?
Isso é o mais difícil. Depois de terminar a faculdade criei a minha própria empresa para abrir uma escola de bodyboard em Lisboa. Não foi uma ideia do momento, já tinha pensado nisso quando me questionei acerca do que iria fazer assim que terminasse o curso. Preocupei-me em arranjar todas as ferramentas necessárias para seguir com a minha escola. Juntei um amigo-sócio ao projeto, alguns patrocinadores e conseguimos criar todas as condições para arrancar. É difícil gerir uma empresa, dar aulas, ter uma estratégia de marketing sendo a minha prioridade a a minha carreira profissional. Não conseguiria de todo sem o Hugo Macatrão que se juntou a mim neste projeto e que me representa melhor que ninguém quando estou ausente. Não fujo das minhas responsabilidades, tento organizar a minha vida ao máximo para a escola nunca ficar a perder. Neste momento dou prioridade aos meus treinos e objetivos.

Em termos de “ídolos”, desafiamos-te a revelares o teu top3 nacional e o top3 mundial.
Top 3 Nacional: Luís Pereira, Ricardo Faustino, Manuel Centeno.
Top 3 Mundial: Ben Player, Pierre Louis Costes, Mitch Rawlins.

E como é surfar as ondas da praia do Norte, na Nazaré?
A praia do norte é sem duvida a minha praia de eleição pela consistência, qualidade e força da onda. Desde que a onda se forma até quebrar tudo é perfeito, proporciona rampas e tubos grandes que nos permitem voar mais alto e evoluir tecnicamente nas manobras. Para além disso, é muito forte o que nos deixa bem preparados fisicamente para ultrapassar as barreiras mais difíceis espalhadas pelas outras praias.

Fizemos Kitesurf com o melhor do mundo

 

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

ARTIGOS RELACIONADOS


OUTROS CONTEÚDOS GMG


Send this to friend