Treinar doente. Médico explica benefícios e riscos

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Já treinou doente e acabou por sentir-se melhor? Provavelmente, sim, e há uma razão para isso.

Segundo um estudo realizado pelo Departamento de Saúde da Universidade de Bath, no Reino Unido, a prática de exercício físico pode ser benéfica quando estamos doentes, especialmente nos casos nos quais o quadro clínico não é grave.

Isto acontece pois, após a prática de exercício físico, o número de células imunitárias (responsáveis por lidar com as infeções) aumenta no nosso organismo. Mais células significam um maior poder de recuperação e regeneração, com este benefício a prolongar-se nos dias seguintes à sessão de treino.

O nosso sistema imunitário permanece estimulado com a prática de exercício – por exemplo, sabemos que o exercício pode melhorar a resposta do sistema imunitário a uma vacina contra a gripe”, explica o co-autor do estudo, Dr. James Turner.

Contudo, coloca-se a pergunta: é vantajoso treinar em todas as situações? Na verdade, nem por isso.

Pedimos ajuda ao Dr. Fábio Gonçalves, Médico de Família e Serviço de Medicina Geral e Familiar, no Hospital da Luz, para descobrir qual a prescrição fit ideal.

    Constipação? Tem luz verde!

Se estiver a lidar com uma constipação ou gripe leve, que não o impede de sair da cama, o treino poderá atuar como um medicamento natural.

“O exercício físico ligeiro, nomeadamente a corrida de resistência, funciona como um anti-congestionante natural, por aumentar a produção do cortisol”, explica o Dr. Fábio Gonçalves, Médico de Família e Serviço de Medicina Geral e Familiar, no Hospital da Luz.

Esta é uma hormona produzida pelas glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins, e tem como função ajudar o organismo a controlar o stress, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imunitário e manter constantes os níveis de açúcar no sangue bem como a pressão arterial.

O ideal será realizar uma versão moderada e suave do seu treino habitual. Evite exercícios de elevada intensidade e reduza o tempo da sessão até sentir que já não está doente.

“Para um atleta de alta competição, apenas uma corrida ligeira de 20 a 30 minutos é aconselhada, para não ficar totalmente parado”, explica o médico. Isto porque, em muitos casos, o risco de lesões pode agravar-se por falta de defesas do sistema imunitário.

Apesar de tudo, segundo o especialista, treinar doente só ajuda em alguns casos específicos. Num pico alto de uma doença, o excesso de atividade física, ou intensidade da mesma, pode levar a agravar o seu estado, aumentando o tempo de recuperação.

    Febre? Não pense em treinar!

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Apesar dos benefícios, se estiver com febre o melhor remédio será mesmo ficar afastado do ginásio.

De acordo com o especialista, poderá até sentir um alívio momentâneo devido à transpiração, mas essa sensação não é suficiente para justificar o treino nestes casos. Tal acontece pois, quando está com febre, o risco de contrair lesões aumenta como resultado de uma capacidade imunológica comprometida.

“A febre é das poucas contra indicações absolutas para exercício físico, pelo perigo de contrair miocardites (inflamação do músculo cardíaco que poderá levar a graves problemas cardíacos)”, defende o médico. Por isso, siga o conselho: Não saia da cama, se estiver com febre.

Quando a febre passar, poderá regressar à prática desportiva de forma gradual. “Inicie com exercício de resistência (corrida), alongamentos ou Yoga, para alívio das dores musculares. Só quando se sentir melhor é que deve passar ao treino de força”, explica o especialista.

    Mas, e no caso das doenças crónicas?

Numa situação em que a doença é crónica, como a hipertensão, diabetes ou até mesmo cancro, a prática de exercício físico é benéfica. O exercício ajuda a diminuir a inflamação do organismo e a combater a progressão destas mesmas doenças.

Contudo, este benefício deve ser encarado com um objetivo a longo-prazo, mais ligado à saúde, equilíbrio e bem-estar do que à condição física. Tal acontece porque o sistema imunológico, por norma já comprometido nestes casos, poder sofrer uma diminuição das defesas imunológicas se sujeito a esforço intenso.

“[o exercício intenso] Pode diminuir a produção de glóbulos brancos (células que combatem as infeções) e aumentar os níveis das hormonas de stress no organismo”, explica o médico. Se a recuperação não for suficiente o organismo não vai conseguir repor a energia gasta e o risco de ficar doente é muito mais elevado.

Já a longo prazo, “o exercício físico aumenta o nosso output cardíaco, diminuindo a frequência cardíaca, e aumenta a nossa capacidade respiratória, tornando as trocas de gases mais eficazes” explica o médico – isto significa que o nosso organismo necessita de menos energia e menos pressão para bombear o sangue para o resto do corpo, protegendo assim, o nosso organismo de doenças cardiovasculares.

Além disso, o melhor funcionamento do nosso sistema circulatório leva também a que a produção e quantidade de glóbulos brancos no nosso organismo seja muito mais rápida, protegendo-nos de doenças e acelerando o processo de recuperação.

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