Os 15 filmes mais incómodos da história do cinema

27 Junho, 2022

cinema

Seja pela dureza das imagens explícitas, pelas perversões da história ou pela desinformação dos telespectadores, a verdade é que alguns filmes podem terminar as exibições com muito menos público do que aquele com que começou.

Foi o que aconteceu com esta seleção que fizemos dos filmes mais desconfortáveis ​​(mas necessários) da história do cinema. Alguns realizadores fizeram da estranheza (ou crueldade) uma das suas sugestões de estilo. De Michael Haneke a Yorgos Lanthimos, sem esquecer clássicos imperdíveis de cineastas como Stanley Kubrick, Luis Buñuel e Tod Browning são alguns dos nomes que constam desta nesta lista.

A idade do Ouro (Luis Buñuel, 1930)

Com roteiro de Luis Buñuel – que também dirige – e Salvador Dalí, não podíamos esperar menos que um resultado surreal e emocionante. Quando os filmes sonoros tinham apenas três anos e Adolf Hitler ainda não havia chegado ao poder na Alemanha, Buñuel fez um dos seus melhores filmes. Uma obra revolucionária que crítica o duplo padrão da burguesia que tão rapidamente censura as práticas sexuais ao exibir as suas próprias perversões na esfera privada.

‘A Idade do Ouro’ provocou violenta polémica, tendo sido considerado o manifesto definitivo do surrealismo cinematográfico. As imagens ainda hoje possuem o valor corrosivo do momento em que foram concebidas.

A parada de monstros (Tod Browning, 1932)

Embora o musical ‘The Greatest Showman’ (2017) nos fizesse acreditar que tudo no circo era maravilhoso, a verdade é que houve um tempo em que não era… de longe! Pessoas “diferentes” (anões, barbudos, deformados, etc.) foram recrutadas e exploradas, e é isto que reflete o contexto deste filme de Tod Browning.

Hoje, ‘A parada de monstros’ é um clássico do cinema mudo, um dos melhores clássicos do cinema americano. A obra permite-nos lembrar que, até há pouco tempo, a diferença era duramente punida e até considerada transmissora de infortúnios. O filme desenvolve-se num circo modesto, onde apenas a trapezista, Cleo, atende aos padrões de beleza de Hollywood.

A laranja mecânica (Stanley Kubrick, 1971)

É difícil um filme chocar nos dias de hoje, quando estamos mais do que habituados a ver horror na televisão ou nas redes sociais. Parece que já nada nos surpreende. Mas imagine nos anos 70, entrar no cinema e ver esta obra-prima de Stanley Kubrick, onde a ultraviolência é o fio condutor de uma história repleta de estupros, espancamentos e torturas ao ritmo da nona sinfonia de Beethoven.

De fato, ‘A laranja mecâica’ não poderia deixar ninguém indiferente, já que o filme foi mesmo feito para chocar. A história é baseada no romance com o mesmo nome, escrito por Anthony Burgess. O enredo centra-se em Alex (Malcolm McDowell), um jovem muito agressivo e chefe de um gangue.

A última casa à esquerda (Wes Craven, 1972)

Wes Craven escreveu e dirigiu este violento filme, no qual dois adolescentes são sequestrados por três maníacos implacáveis. A crueldade das suas ações causou muito desconforto nos telespectadores da época. Mas este é, ainda hoje, considerado um dos melhores filmes de Craven. Mais tarde, o realizado vem a criar duas das sagas mais influentes do cinema de terror: ‘A Nightmare on Elm Street’ e ‘Scream’.

‘A Última Casa à Esquerda’ marcou a estreia de Craven em 1972. Um filme muito mais gráfico do que o público esperava, com um projeto que o fez parecer tão real que nem todos os espectadores o suportaram. Foi um dos filmes do género que inspirou as tendências mais realistas do terror. Em 2009, o filme contou com o seu próprio remake, produzido pelo próprio Craven.

120 dias de Sodoma (Pier Paolo Pasolini, 1975)

Pier Paolo Pasolini é um dos cineastas mais revolucionários e rebeldes da história do cinema. E isso não agrada a todos: o realizador foi brutalmente assassinado em novembro de 1975, apenas uma semana antes da estreia de ‘120 dias de Sodoma’, adaptação de uma obra do Marquês de Sade adaptada à contemporaneidade italiana.

Este filme chocante foi o último desejo de Pasolini: criar uma metáfora violenta, cruel e indescritível do fascismo, do consumismo e das misérias que o capitalismo trouxe após a Segunda Guerra Mundial. Um dos melhores filmes italianos que foi incrivelmente escandaloso e sofreu com a censura da época.

Experiência alucinante (David Cronenberg, 1983)

David Cronenberg é também rei do desconforto cinematográfico, e foi ele quem marcou a tendência Foi o precursor da New Flesh, movimento iniciado nos anos 70 pelo qual o humano e a máquina se fundem em deformações monstruosas. O objetivo? Mostrar a preocupação contemporânea com a ascensão da tecnologia.

‘Experiência alucinante’ é a joia da coroa e um dos melhores filmes de David Cronenberg. A história centra-se em Max Renn; chefe de um canal de televisão decadente, que um dia descobre uma estação pirata com conteúdo muito violento e realista.

Kids (Larry Clark, 1995)

Com roteiro de Harmony Korine, nome amplamente aclamado no cinema independente americano, este filme mergulha profundamente no lado mais negro da realidade adolescente.

A história retrata a vida de um grupo de adolescentes que acreditam que são invencíveis por 24 frenéticas horas. Duas adolescentes acabam a ir a um hospital fazer o teste de SIDA.

Brincadeiras perigosas (Michael Haneke, 1997)

Michael Haneke, mestre absoluto da crueldade desconfortável no cinema, assinou este filme há mais de vinte anos para nos mostrar que a violência não precisa de ter uma razão ou ser racional. Às vezes é sinónimo de prazer, e isso é algo assustador. “Há pessoas que só querem ver o mundo arder”, disse Michael Caine.

Haneke decidiu lançar o remake de ‘Brincadeiras perigosas, que resultou mais uma vez num filme aterrorizante e chocante. Nesta versão mais recente, conta com uma reflexão renovada sobre a sobrevivência da violência.

Felicidade (Todd Solondz, 1998)

Foi o Melhor Filme no Festival de Cinema de Toronto e considerado uma das comédias mais ácidas do cinema indie americano. Este filme de Solondz é uma crítica carregada de ironia à sociedade americana, com todos os seus segredos e mentiras.

Por trás de casas perfeitamente alinhadas e vidas perfeitamente ajustadas, as perversões espalham-se entre uma família. O resultado é uma história tão cruel quanto fascinante.

Irreversível (Gaspar Noé, 2002)

Ainda ninguém chegou a uma conclusão acerca do grande debate levantado por este filme. Era necessário filmar uma violação tão longa – 9 minutos – e comovente? Monica Bellucci é a cara do terror e do desespero nesta cena muito comentada do filme de Noé.

O francês é um provocador, sem dúvida, mas ver a realidade como ela é talvez nos conscientize ao julgar depois. Ou será apenas voyeurismo gratuito e agressão sexual? Seja qual for a resposta, tínhamos de incluir este filme na lista de filmes indecentemente violentos.

Canino (Yorgos Lanthimos, 2009)

Herdeiro daquele desconforto crónico do cinema de Michael Haneke, o grego Yorgos Lanthimos ficou mundialmente conhecido com este filme sobre uma família que vive trancada em casa. As crianças nunca viram o que está do lado de fora, e isso serve ao cineasta para suscitar uma reflexão sobre a superproteção dos pais.

Anticristo (Lars von Trier, 2009)

Podíamos ter escolhido qualquer filme de Trier, de ‘Os Idiotas’ (1998) a ‘Dogville’ (2003), sem esquecer ‘Nymphoniac’.

Com ‘Anticristo’, chega ao seu ponto mais alto de desconforto e estranheza. Fá-lo com uma história de depressão absoluta devido a uma perda irreparável. Tem um dos melhores finais da história do cinema, embora não tenhamos tanta certeza de que todos o entendemos…

Terror sem limites (Srdjan Spasojevic, 2010)

É um dos filmes mais polémicos da última década, e foi propositadamente criado para provocar. Os roteiristas deste filme sérvio, Srdjan Spasojevic -também diretor- e Aleksandar Radivojevic, reconheceram que o objetivo principal era criticar os filmes politicamente corretos que estavam a ser lançados no seu país, apesar de a realidade social ser terrível.

O resultado não é um discurso para elevar as consciências, mas um festival de perversões sexuais com momentos em que provavelmente terá que desviar o olhar. A favor ou contra este polémico filme?

O ato de matar (Joshua Oppenheimer, 2012)

Melhor Documentário nos European Film Awards e nomeado para um Óscar, entre outros prémios, ‘O ato de matar’ destaca-se como um dos testemunhos reais mais surpreendentes do cinema recente.

Joshua Oppenheimer recria neste filme vários assassinatos e torturas. Uma arrepiante falta de escrúpulos, que nos mostra a realidade de um momento terrível no país asiático. Um documentário para refletir.

Mãe! (Darren Aronofsky, 2017)

Foi um dos filmes de que mais se falou em 2017, seja por boas ou más razões. É desconfortável e desconcertante. Mas é também uma crítica furiosa à sociedade contemporânea e ao dano irreparável que estamos a causar à Mãe Natureza. Ou, pelo menos, esse é um dos significados de ‘Mãe!’ assinado por Darren Aronofsky, e que oferece diferentes leituras.

Um casal – um poeta em plena fase criativa (Javier Bardem) e sua jovem esposa (Jennifer Lawrence) – vivem tranquilamente quando dois estranhos (Ed Harris e Michelle Pfeiffer) fazem uma visita inesperada, e mudam as suas vidas para sempre. Certamente um daqueles filmes que o vai deixar a pensar.

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