A apresentadora de televisão e atriz tem pautado a sua carreira por uma melodia cativante e tem sabido crescer. Perfil interessante e promissor. Mas nós “roubámo-la” para uma produção audaz para a Men’s Health.

Estava a acompanhar a tua sessão fotográfica e a pensar que és uma das Mulheres MH mais jovens que entrevistámos para esta revista. Por que é que achas que te fiz este convite?
Eu é que pergunto isso! Mas se tivesse que adivinhar, acho que foi para ver se eu me conseguia safar! (risos) Penso que para quem vê as fotos parece bastante fácil, mas requer alguma libertação e um certo à-vontade que nem sempre está em nós. Nem eu própria sabia se iria conseguir… Tenho muito a aprender, mas gosto de me testar e de definir novos limites.

Do Curto Circuito para o Factor X, esta foi uma enorme passagem. Achas que é o programa e o timing ideal para deixares de ser a “menina da TV” e passares a ser a Mulher?
Não creio que seja o trabalho que define se és ou não adulto. Adoro o que faço e faço-o com muita diversão. Se ser adulto implicar não me divertir ou não ser feliz, então acho que terei uma síndrome de Peter Pan à minha espera. Eu não me acho miúda no sentido em que as minhas preocupações não são muito comuns em mulheres da minha idade, com as devidas exceções, claro. Não acho que sejam melhores ou piores. Apenas diferentes. E por isso me rodeio normalmente de amigos mais velhos com quem posso discutir sobre imensas coisas. Claro que a nossa imagem é importante no mundo da televisão e bem tentam que eu seja menos maria-rapaz. Eu acho que posso ser essa tal “mulher” e não ter que usar sempre saltos e vestidos. Posso?

Tens objetivos de vida e/ou profissionais definidos ou deixas que o dia a dia te proporcione essas coisas?
Por acaso, é um equilíbrio entre ambos. Vou tentando traçar objectivos alcançáveis para que a frustração não dê cabo de mim. Não me pressiono muito, tento dar valor ao que tenho diariamente. Por vezes esquecemo-nos disso. É muito fácil e rápido que isso aconteça. Há pessoas que vão a determinados sítios pensar, ver paisagens, ouvir músicas específicas ou mesmo ir à missa para se lembrarem de quem eram e do que têm na vida… O meu remédio é brincar com crianças.

À primeira vista, pareces ser uma mulher muito liberal. É mesmo o teu way of life ou será mais uma forma inteligente de ocultares algumas inseguranças (se é que as tens ou sentes)?
Liberal sou. Muito. Evito ter preconceitos com seja o que for. Isso não significa que não seja insegura. Acho que a maior parte das mulheres tem inseguranças, principalmente porque há demasiados “modelos” a serem seguidos e cada vez mais agora, com o acesso rápido à informação. Acho que aquele cliché do “devemos sentir-nos bem connosco próprios” é o melhor a ser pensado aqui. O que falta é força de vontade. Se queres usar aquele vestido, usa. Se queres ter uma barriga lisa, faz abdominais. Se queres tocar guitarra, pega nela. É preciso estimular as pessoas para que façam coisas. Apesar de o país estar um pouco derrotado nós não podemos desistir. Se querem algo, vão buscá-lo. Ninguém o vai fazer por vocês.

Mas, então, como é que te defines enquanto mulher?

Tenho dois belos exemplos de duas grandes guerreiras na minha família. A minha mãe e a minha avó. São mulheres incríveis que eu amo muito e que me ensinaram valores que ainda hoje defendo. Um deles é ser indepen-dente. Foi o que mais ouvi desde miúda. Isso e respeitar. É difícil definir-me como mulher
em tão poucas palavras, mas gosto de olhar para estes meus dois exemplos e saber que fazem parte de mim. Falta isso a muita gente: oiçam os vossos pais e principalmente os vossos avós. Eles passaram por coisas neste país que não lembram ao diabo e só temos a aprender com eles.

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Qual é o mais importante dos teus cinco sentidos?
Há alguns anos atrás perguntaram-me se preferia perder a audição ou a visão e eu respondi muito rapidamente que preferia perder a audição. Apenas porque, sendo cega, sentir-me-ia muito dependente e eu odeio sentir-me dependente seja do que for. Mas com o passar do tempo percebi que perder a audição seria algo demasiado doloroso para mim. Deixar de ouvir certas músicas ou vozes de pessoas de que gosto é algo que não gostava de todo . Todos eles são importantes, claro. Mas o tato e a audição são os que eu creio serem os mais honestos.

Mas, afinal, qual é a real importância da música na tua vida?

A música para mim está como a crise para Portugal: está em todo o lado.

Consideras-te uma mulher sedutora ou conquistadora?
Mais conquistadora do que sedutora. Mas a sedução faz parte da conquista. E nós, portugueses, temos um histórico de conquistas bem rechonchudo. Acho que devemos ser igualmente sedutoras. Dá trabalho, mas é bem mais bonito.

Sinceramente, não percebo como é que não tens namorado! Não tens paciência, ainda não encontraste a tua cara-metade ou preferes investir na tua carreira?
Preferir investir numa carreira não deveria ser impedimento de ter uma relação e vice-versa. Ter uma relação não deveria ser impedimento para investir numa carreira. Por vezes, as pessoas esquecem-se de que estar numa relação tem que ser algo realmente bom. Tem que nos fazer bem. E não limitar-nos, jamais. Pelo contrário, deve precisamente ajudar-nos a ser melhores em outras coisas.

Mas o que é para ti o homem perfeito?
Eu sou bastante estranha nesse aspeto. Não é esquisita, é estranha… Normalmente, sinto-me atraída por homens que me possam realmente ensinar coisas. Com quem possa discutir sobre tudo, de música à política no nosso país. Gosto que percebam e gostem realmente de música e que me mostrem música nova… o que nem sempre é fácil.

O que é que não perdoarias num homem?

Se ele depilasse as pernas… Não! Por favor!!!

Em que situação é que é necessário mentir?
Uma professora de Ética ensinou-nos um ditado, creio que oriental, que defendia que a nossa consciência era um triângulo de ferro dentro do nosso peito e cada vez que fazíamos algo que considerávamos mau, esse triângulo rodava sobre si próprio e por isso nos magoava. É um bocado lamechas esta história, mas quando a ouvi achei mesmo bonita. A conclusão era que se fizéssemos muitas coisas más, depois de muitas voltas, o triângulo ganhava espaço para rodar e acabávamos por não sentir nada. Por vezes mais vale sentirmo-nos mal do que não sentirmos nada. Mentir dá imenso jeito em montes de situações, maioritariamente parvas… O que acontece é que uma vez que mentes, é difícil voltar atrás. Eu sou muito preguiçosa para mentir.

O que achaste desta produção? Foi muito “fetichista”? Sentiste-te bem?
Adorei! Baunilha não é a minha cena… e entendam isso como quiserem!

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