Os mitos sobre a existência de alimentos que, quase como se se tratasse de um milagre, ajudam a emagrecer continuam a multiplicar-se. Com a chegada do verão e com uma maior tendência para a preocupação com o corpo e com o físico – que, lembramos, deve acontecer durante os 365 dias do ano e não apenas durante o pico do calor – não é de estranhar que procure pílulas milagre para conseguir o corpo que deseja.
Pedimos desculpa pelo spoiler, mas não existe nenhum produto com esse efeito. Para ter um corpo tonificado e um six pack que as vai deixar de queixo caído na praia tem mesmo de ter cuidado com o que come e começar a praticar desporto.
Ainda assim, podemos ter algumas ajudas, por exemplo, no que toca à alimentação, para chegar ao destino um pouco mais rápido. E se lhe disséssemos que o picante dos alimentos pode mesmo dar um boost ao seu metabolismo e fazê-lo queimar gordura mais rapidamente?
Foco na capsaicina
É fã de comida picante? Bem, esse talvez seja um truque de valor se está a tentar perder algum peso. Tudo se deve à capsaicina, um composto presente na classe das pimentas e que está associada ao processo de oxidação de gordura.
Além disso, quando come uma refeição mais picante tende a sentir-se mais saciado, ou seja, acontece uma redução do apetite e, consequentemente, vai acabar por comer menos. “Não vai haver desejo de consumir mais alimentos e isso deve-se ao aumento da atividade do sistema nervoso simpático”, explica Teresa Lourenço, nutricionista do laboratório Germano de Sousa, em Tavira.
Segundo a especialista, existem mesmo evidências científicas que apontam para o facto de este composto ativo das pimentas promover “o aumento do gasto energético de 50 kcal por dia. Pensa-se que esse gasto energético possa ser clinicamente significativo”.
Já com vontade de encher o prato com malaguetas? Talvez não valha apena… lembra-se de quando lhe dissemos que não existem milagres? Bem, isso é porque este composto demora, em média, um a dois anos, após o início do seu consumo regular, a ter esse efeito tão expressivo.
Ainda assim, é possível ver outro tipo de resultados – e num período de tempo bem mais curto – já que, em seis semanas é “possível ver uma redução do tamanho da cintura quadril, por isso, parece que há mesmo uma eventual relação entre o composto capsaicina e a oxidação de gordura e na eventual redução de peso“, continua Teresa Lourenço.
O consumo de pimentas e alimentos com algum picante pode ainda ser uma boa forma de aumenta o processo de termogénese, ou seja, o gasto calórico através do aumento da temperatura corporal. É possível fazer-se, então, a comparação entre uma ida ao ginásio e o consumo de uma refeição altamente picante. Em ambas as situações a sua temperatura corporal vai aumentar e, inevitavelmente, vai começar a suar. Daí a relação entre o tecido adiposo castanho e o aumento da termogénese.
“Existem dois tipos de tecido adiposo: o castanho e o branco. Enquanto o branco tem a função de produzir algumas substâncias inflamatórias e que, depois, podem desencadear algumas doenças, o castanho armazena pouca gordura e tem a função de fazer o organismo gastar gordura sob a forma de calor para manter a temperatura corporal“, elucida a nutricionista Teresa Lourenço.
Six pack picante e vida mais longa?
Além da relação com a perda de peso e com uma cintura mais fit, um estudo da Universidade de Harvard chegou mesmo à conclusão de que existe uma ligação entre o consumo de alimentos picantes e um menor risco de mortalidade. Os investigadores concluíram que quem ingeria esse tipo de alimentos mais frequentemente tinha ainda menores probabilidades de morrer de doenças como o cancro, problemas respiratórios ou ainda problemas de coração. De acordo com a mesma pesquisa, quem consome alimentos picantes regularmente tem 14% menos probabilidade de morrer precocemente.
Mas, não lhe vai adiantar de nada começar a barrar malagueta de todas as formas e feitios nas refeições se não tiver em consideração um estilo de vida, globalmente, mais saudável. Isto é especialmente relevante dado os efeitos negativos da ingestão excessiva de picante.
Embora a capsaicina seja um poderoso anti-inflamatório e tenha, inclusiva, ação anticancerígena, quando consumido em excesso pode ter o efeito oposto e ainda ser responsável por processo de azia, cancro gastrointestinal, dor de estômago, inchaço abdominal ou até o agravamento de úlceras. É preciso ter algum cuidado.
Como podemos introduzir este composto na alimentação?
Esqueça os suplementos. Se refletirmos, é possível ver que o picante está intimamente associado a várias culturas pelo mundo e um estudo veio provar que a capsaicina pode ser consumida de forma segura na alimentação de forma regular, por exemplo, nas malaguetas. Segundo a mesma pesquisa, alguns componentes presentes em alimentos picantes podem mesmo ser o futuro da prevenção da obesidade.
Se quiser mesmo perder peso e até quiser dar mais picante à sua vida, pode usar alimentos como a pimenta ou a malagueta. Mas, é fundamental que opte pela forma mais natural possível de ambos os alimentos. Em pó, seca, ou mesmo fresca, a malagueta pode ser encontrada facilmente nos supermercados.
No entanto, evite molhos porque, “podemos estar a inibir os seus potenciais benefícios já para não falar da alteração do valor calórico. Nesses molhos preparados, o que se verifica é que há adição de açúcares, de óleos e de gorduras, o que significa mais calorias para o nosso dia-a-dia”, conclui a especialista em nutrição.
Mais sobre alimentos

