Os alimentos que foram tendência em 2019 (e que tem de comer em 2020)

Cozinha peruana e Mexicana 2019 promete a abertura de novos espaços gastronómicos, especialmente nas grandes cidades, mas José Avillez continua a acreditar no poder da culinária feita em casa… mas agora com um twist. Para o chef, vamos assistir à presença de inspirações peruanas e mexicanas nos cozinhados mais caseiros, em que “as pessoas começam a fazer um ceviche em casa ou a comprar umas tortilhas de milho e a fazer uns tacos”.
A chegada do Médio Oriente A cozinha temática está em força e tanto José Avillez como Kiko Martins acreditam que a culinária do Médio Oriente vai ganhar ainda mais força, seja por restaurantes de comida libanesa ou israelita. Para o chef Kiko, 2019 vai ser mesmo o ano da “consolidação” desta gastronomia.
Guiozas vegetarianas Esta iguaria asiática vai continuar a marcar presença, mas serão os cogumelos os principais protagonistas do recheio, oferecendo proteína, propriedades anti-inflamatórias e todo um sabor que promete agradar a todos.
Comida saudável Se 2018 foi o ano dos brunchs e do boom dos restaurantes saudáveis, 2019 não irá ser muito diferente. Para Avillez, “o lado saudável mantém-se”, seja na abertura de novos espaços ou nas preocupações em casa. “Só a preocupação com o glúten é que acalmou um bocadinho”, diz.
Queijo azul O queijo é um dos alimentos com maior destaque na alimentação dos portugueses, não fôssemos produtores de algumas das variedades mais cobiçadas. Com uma produção mais elaborada, um sabor mais característico e uma aparência mais robusta, o queijo azul promete ser um dos ingredientes de destaque neste ano. O difícil vai ser escolher entre o gorgonzola, o roquefort e o stilton.
Carne como um luxo Se há aspeto em que o nosso painel de especialistas concordou foi na tendência para comer menos carne, optando por alternativas, como “insetos, hambúrgueres de cereais e hambúrgueres de vegetais”, diz Iara Rodrigues. Embora esta seja uma realidade para médio e longo prazo, o chef Kiko acredita que a carne “continuará a ocupar um lugar de destaque, garantidamente. Uma boa peça de carne será cada vez mais um objeto de luxo”.
Cerveja preta Embora o consumo de bebidas alcoólicas deva ser sempre moderado e pontual, nunca rotineiro, a verdade é que a cerveja continua a satisfazer o palato de muitos e, segundo um estudo da Universidade de Wisconsil-Madison (EUA), os flavonoides presentes na cerveja preta podem ajudar a prevenir coágulos. Porém, importa salientar que a cerveja não faz milagres, muito menos quando o estilo de vida é desequilibrado.
Manteiga de pistácio E quem diz pistácio diz “manteiga de amendoim, amêndoa e caju, que entraram no ano passado de forma massiva na casa dos portugueses”. Estas “gorduras saudáveis”, como destaca a nutricionista Iara Rodrigues, irão manter-se em voga durante neste ano.
Sal iodado “O sal iodado é verdadeiramente uma boa opção quando temos de utilizar sal, mas atenção que estamos a consumir sal em excesso! Assim, recomendo a limitação de sal, que é o mais importante, e que das poucas quantidades de sal ingerido, então que sejam de sal iodado”, sugere o nutricionista Bruno Sousa.
Natto Nunca ouviu falar em natto? Então prepare-se, pois vai ser uma das tendências de 2019 – e mais uma prova de que a gastronomia asiática veio para ficar. 200 gramas deste feijão de soja fermentado oferece a quantidade diária recomendada de ferro, um terço da quantida- de recomendada de cobre e ainda dois terços do que necessita todos os dias de manganês.
Baba ganoush Segundo o chef Kiko, “os legumes vão ter um papel cada vez mais preponderante na nossa alimentação”. E como a cozinha do Médio Oriente vai continuar a destacar-se, não há como não falar no baba ganoush, uma pasta à base de beringela que promete fazer tremer o reinado do húmus.
Cânhamo Iara Rodrigues não tem dúvidas de que 2019 será o ano da emancipação do cânhamo, uma variedade da canábis que se destaca pelo teor de proteína e versatilidade. “Está a ganhar força e começa a estar mais presente em produtos e não apenas em sementes”, diz a especialista. Também Avillez aponta o cânhamo como uma das tendências, encaixando na “perspetiva da alimentação saudável”.
Pastas “Há uma tendência a puxar para os alimentos da Ásia e da Oceânia, com produtos como pasta de camarão ou de choco”, começa por dizer Iara Rodrigues, comparando estas pastas ao miso, que atingiu a ribalta no ano passado.
Fermentados Embora tenha sido já uma tendência do ano passado, os alimentos fermentados continuam a captar a atenção em 2019. “Não são uma novidade, mas neste ano vão estar muito mais presentes e protagonizar produtos que vão ser lançados”, revela Iara Rogrigues, dando o exemplo de barrinhas e granolas que possam vir a ser feitas com kefir ou kombucha, por exemplo. Também o nutricionista Bruno Sousa aposta no nascimento de novos produtos à base de fermentados.
Cerveja 2.0 É já quase um “bem essencial” no Reino Unido e, neste ano, promete ir além-fronteiras. Falamos de uma espécie de xarope feito de extrato de levedura, um subproduto da fabricação de cerveja. Segundo um estudo da Universidade de York, no Reino Unido, este alimento melhora a qualidade do sono, reduz os níveis de ansiedade e é ainda uma boa fonte de vitamina B12.
Batata violeta Depois da chegada da batata-doce roxa, eis que a batata violeta aparece para colorir ainda mais alimentação dos portugueses. Iara Rodrigues destaca este alimento, lado a lado com a acelga, a kale e a pastinaca (ou pastinaga ou cherovia). “Se calhar, vamos começar a trazer esses legumes e raízes da terra”, diz.
Bacia do Mediterrâneo Embora a tendência seja para que nos afastemos da dieta mediterrânica, alerta Iara Rodrigues, a verdade é que este tipo de gastronomia ainda marcará presença em 2019… e de uma forma ainda mais saborosa. Para o chef Kiko, “talvez também se note a tendência de mais restaurantes do mundo com gastronomias diferentes, como a marroquina e a grega, muito focadas na gastronomia da bacia do Mediterrâneo”.
Biológico Os dois nutricionistas do nosso painel de especialistas não têm dúvidas de que a procura por alimentos biológicos e orgânicos vai ser uma tendência em 2019, seja nas compras de supermercado lá para casa ou na escolha de um restaurante.
Pipocas Está a ver aquela fome que dá entre refeições? Aprenda a combatê-la com snacks inteligentes, dos quais fazem parte as pipocas – feitas na hora, sem açúcar, e não aquelas que se compram no supermercado. Um estudo da Universidade de Scranton, nos Estados Unidos, descobriu que as pipocas podem ter tantos polifenois como a fruta, que são mais facilmente absorvidos se houver alguma gordura à mistura.
Ravioli A cozinha italiana é das nossas preferidas e das que mais reproduzimos em casa, pois “é rápida e feita com ingredientes acessíveis”, diz José Avillez. Embora a culinária que nos faz dizer ‘mamma mia!’ pareça estar a perder terreno para outros sabores, a verdade é que a massa vai continuar sempre presente na nossa alimentação. E ainda bem. Diz uma investigação publicada na revista científica BMJ Open que o consumo regular de massa está associado a um menor peso corporal. O segredo está em cozinhar e refrigerar a massa, fazendo que o amido atue como opressor do apetite, diz o estudo.
Pitaia Uma vez que os “sabores do Pacífico” serão uma das tendências de 2019, eis que a pitaia promete ocupar ainda mais espaço nas prateleiras dos supermercados e das frutarias. Esta fruta exótica é, para Iara Rodrigues, uma tendência para este ano. E o que ficamos a ganhar com o seu consumo? Um boost de fibra, vitaminas e minerais.
Portugalidade A gastronomia mundial vai estar amplamente presente em Portugal, seja com novos restaurantes temáticos ou com o aumento das lojas com produtos alimentares de outros países. Mas o que é nacional é bom e os portugueses estão conscientes disso. “Vamos continuar com a tendência da portugalidade. Restaurantes em Lisboa, Porto, Coimbra, entre outros, continuam a apostar muito na gastronomia portuguesa, a reinventar de uma forma mais leve”, garante o chef Kiko.
Vinho espumante Se é adepto de um bom copo de vinho todos os dias, então continue a fazê-lo (de forma moderada), mas vá alternando o tradicional vinho tinto com um vinho espumante. Diz a ciência, mais concretamente a Universidade de Reading, em Inglaterra, que esta bebida pode atenuar o declínio cognitivo associado à idade muito graças ao facto de as uvas usadas serem criadas em ambientes mais frios.
Pasta de tomate É fã de ketchup? Tudo bem, mas troque-o por uma pasta caseira de tomate. A confeção em casa de alimentos outrora industrializados é também uma tendência e a sua saúde fica a ganhar. No caso da pasta de tomate, oferece ao organismo uma boa dose de licopeno. Segundo uma investigação publicada na American Journal of Clinical Nutrition, o licopeno da pasta de tomate é 2,5 vezes mais facilmente absorvido do que quando se consome tomate no seu estado natural.
Café mocha Juntar café e chocolate é como conseguir o melhor de dois mundos a cada gole. Um estudo levado a cabo nos Estados Unidos garante que aliar as propriedades do café às do chocolate melhora consideravelmente o desempenho cognitivo e aumenta a capacidade de concentração.
Algas “Fala-se cada vez mais em algas e diz-se que serão o petisco de 2019”, diz Iara Rodrigues, revelando que é bem possível que em breve esta iguaria esteja mais presente “nas prateleiras dos supermercados, com snacks feitos à base de algas”.
Rebentos Para o nutricionista Bruno Sousa, as algas serão, de facto, uma tendência para 2019, em que, tal como sugeriu Iara Rodrigues, “além do seu consumo, muitos subprodutos vão surgir”. Contudo, também os rebentos prometem encher os pratos dos portugueses, sendo este um dos ingredientes que o nutricionista acredita que estarão em voga durante o ano.

A alta-gastronomia anda lado a lado com as tendências alimentares. E a Men’s Health foi à procura do que andamos a comer em 2019. E claro, o que se prevê comer nos anos seguintes. Prepare-se, vai ter de mudar alguns hábitos. Quem o diz é o painel de especialistas que nos apontou os 27 alimentos que se mostraram como mais trendy ao longo deste ano.

Os chefs Kiko e José Avillez, juntamente com os nutricionistas Iara Rodrigues e Bruno Sousa apontaram as tendências. Mas antes, responderam à questão: ‘Vamos viver uma era sem carne?’

A resposta foi unânime. Não, não vamos viver uma era sem carne, mas vamos comer cada vez menos carne e procurar cada vez mais alternativas à proteína animal. Além dos insetos – algo que “ainda é estranho para nós, mas que para os asiáticos já está presente”, diz Iara Rodrigues –, podemos também assistir à emancipação da jaca, “um fruto muito comum do Sudeste Asiático, que é muito semelhante, em sabor, ao porco”.

Nesta nova fase, podemos esperar ainda a “presença maciça dos cogumelos”. Já Bruno Sousa não tem dúvidas de que “estávamos a exagerar no consumo de carne e estas mudanças no comportamento alimentar dos portugueses. A redução do consumo de carne, será benéfica, mas deve ser benfeita. É por isso muito importante a intervenção de um nutricionista para que estas mudanças seja nutricionalmente equilibradas. Há que referir que uma alimentação vegana, se não for bem estruturada, pode trazer riscos para a saúde”.

Percorra as imagens da galeria e saiba quais os alimentos preferidos do ano.


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