6 casos que podem justificar a falta de ereção

5 Setembro, 2022

Uma semana de trabalho stressante ou um problema por resolver são situações que podem interferir com a falta de ereção. Se é algo esporádico, à partida não será motivo para grande preocupação. No entanto, se os seus problemas são menos situacionais e mais regulares, pode estar a passar por uma disfunção erétil (DE).

Embora se verifique mais com o avanço da idade, os homens mais jovens não são imunes, segundo comprova um estudo publicado no International Journal of Clinical Practice.

Por norma, a DE não é um tema fácil de abordar, quer seja entre amigos ou mesmo com médicos. Pode preferir ignorá-la e esperar que desapareça, mas isso é um erro. Antes de esconder a impotência, considere a possibilidade de haver um problema subjacente. Procure saber a razão junto do seu médico, não coloque a sua saúde em risco. Eis 6 motivos que podem condicionar a ereção:

1. Doença cardíaca

Várias investigações mostram que a DE é um preditor de problemas cardíacos e um fator de risco tão válido como fumar ou ter um historial familiar de doença arterial coronária. “A DE em alguns homens, aparece antes do ataque cardíaco”, diz Nelson Bennett, professor de urologia na Northwestern University Feinberg School of Medicine dos Estados Unidos. Nelson Bennett explica porque é que os homens mais jovens com problemas eréteis crónicos são particularmente preocupantes para ele. “Se estiverem sem tratamento e apresentarem os valores do colesterol e tensão arterial elevados, pode haver uma danificação dos vasos sanguíneos, fazendo-os perder a sua elasticidade. Isto pode causar a acumulação de placa dentro das artérias, estreitando-as e eventualmente bloqueando o fluxo sanguíneo. Os vasos sanguíneos que vão diretamente para o pénis são três vezes mais pequenos do que os do seu coração”, salienta o Dr. Bennett. “Estes são suscetíveis de se entupir primeiro”, acrescenta.

Isto não significa que não se possa inverter a tendência,”gosto de dizer aos pacientes que o que é bom para o coração é bom para o pénis”, diz Bennett. Reduza o stress, siga uma dieta saudável, e faça exercício regularmente, aconselha o médico. De acordo com vários estudos publicados no âmbito da medicina sexual, fazer exercício aeróbico, como caminhar ou nadar a uma intensidade moderada a vigorosa, durante 40 minutos, quatro vezes por semana, pode melhorar significativamente a função erétil.

2. Doença de Peyronie

Se ultimamente, nota uma curva mais evidente no seu pénis, poderá ter doença de Peyronie, uma doença do tecido conjuntivo que causa deformidades no pénis.

Pode manifestar-se inicialmente como um pequeno nódulo no pénis. “Apenas 20% das pessoas se lembram de uma lesão tão específica”, diz Stanton C. Honig, professor de urologia clínica e diretor do programa de saúde reprodutiva/medicina sexual masculina de Yale. “Pode desenvolver-se um tecido cicatrizado, ou uma placa (fibrose) que faz com que o pénis se curve ou dobre quando está ereto”, acrescenta.

Dependendo do grau de curvatura, o sexo pode tornar-se doloroso para si e para a/o seu parceiro/a, “muitas vezes, a DE está relacionada com a ansiedade situacional”, refere Stanton. “Pode ficar ansioso ou envergonhado por ver o pénis perder a ereção”.

O diagnóstico precoce pode ajudá-lo a manter a posição normal do órgão reprodutor. “Se for um caso moderado, há tratamentos minimamente invasivos, como o Xiaflex, o único procedimento aprovado pela Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (FDA) para este problema em particular”, diz Honig. Este tratamento consiste em injeções de colagenase ao longo de seis meses que ajudam a destruir a fibrose. Quando a doença de Peyronie é mais grave, pode ser necessária uma de duas cirurgias para reduzir a deformidade e eliminar a dor.

3. Doença da gengiva

Embora não esteja comprovada a relação direta entre uma má higiene oral e o aparecimento de DE, um estudo científico no âmbito da especialidade de Andrologia coloca a possibilidade de “uma associação significativa entre disfunção erétil e periodontite”, uma doença gengival.

Se as suas gengivas sangram ao escovar, procure dirigir-se a um dentista para um check-up. As doenças das gengivas também têm sido associadas a outros problemas de saúde.

4. Apneia do Sono

Sente paralisia corporal durante a noite e durante o dia ela desaparece? Pode ter apneia obstrutiva do sono (AOS), uma patologia que o faz parar de respirar durante 10 a 30 segundos. Pode também ser uma causa da DE, “a apneia do sono provoca uma má circulação vascular periférica”, explica Elliot Justin, especialista em medicina e fundador da FirmTech, uma empresa de tecnologia centrada no bem estar sexual masculino. “As pessoas com apneia têm mais ataques cardíacos, AVC e uma maior incidência de DE”.

A AOS pode baixar a testosterona e restringir o oxigénio no sangue, dois elementos essenciais para ereções saudáveis. Para além disso, é provável que outros efeitos secundários da privação do sono (stress, fadiga, incapacidade de concentração) também interfiram com a sua performance na ocasião.

A ciência ainda procura uma associação definitiva entre a apneia obstrutiva do sono e a DE. De acordo com uma análise da investigação sobre o tema, publicada no International Journal of Impotence Research, existe apenas um risco ligeiramente elevado de as pessoas com AOS desenvolverem DE em comparação com aquelas sem AOS. Contudo, isto não deve impedi-lo de considerar algum apoio de ventilação não-invasivo para tratar a sua DE, caso o seu médico o aconselhe. Num estudo publicado no jornal oficial da medicina do sono, a sonolência com uma máquina CPAP (pressão positiva contínua das vias aéreas) melhorou a função erétil em pacientes com AOS grave. Se isto não for confortável para si, há também aparelhos que reposicionam temporariamente o maxilar ou a língua, permitindo que o ar flua enquanto dorme.

E se não precisar de uma cura para a AOS, concentre-se em não a desenvolver. Para ajudar a evitar que sofra de AOS moderada a grave e DE, mantenha-se em forma e mantenha o seu peso. A obesidade e baixos níveis de atividade física estão associados a ambas as condições.

5. Diabetes

A diabetes tipo 2 pode aumentar o risco de DE. Os resultados do estudo de longa data sobre o envelhecimento masculino de Massachusetts mostraram que os homens com esta alteração metabólica tendem a desenvolver a DE 10 a 15 anos mais cedo do que aqueles sem disfunção.

“Há dois fatores em jogo”, diz Justin. “O açúcar elevado no sangue é uma neurotoxina, pelo que, na realidade, neutraliza, enfraquece, e eventualmente destrói as terminações nervosas. A diabetes também pode originar calcificações, que danificam os vasos e reduzem o fluxo sanguíneo para o pénis”, explica. Mas ter diabetes não significa que vai desenvolver DE. Consulte o seu médico e esteja atento à sua condição para prevenir a lesão dos vasos sanguíneos e nervos a que a DE está associada.

6. Depressão

A disfunção tanto pode ser a causa como a consequência de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Saiba que as pessoas com depressão têm 39 por cento de maior probabilidade em desenvolver DE do que aquelas sem a alteração clínica, de acordo com um estudo do jornal académico, The Journal of Sexual Medicine.

O sistema nervoso desencadeia ereções, e se o sistema estiver comprometido isto não vai acontecer. “Quando se está deprimido, liberta-se um químico que inibe a ereção”, explica Honig.

Além de diminuir o interesse por atividades que antes considerava agradáveis (sexo), a depressão pode levar à automedicação. Pode também incentivar ao consumo de álcool e outras drogas recreativas. Estas atitudes podem aumentar ainda mais as probabilidades do aparecimento da DE.

Se se identifica com algum dos cenários anteriores, explore a fonte da sua depressão com um profissional. Embora seja verdade que alguns antidepressivos podem causar a DE, o seu médico pode trabalhar consigo para encontrar um medicamento diferente ou prescrever uma dose mais baixa para minimizar os efeitos secundários.

Eis um pensamento que pode melhorar o seu estado de espírito: Se estiver a sofrer de disfunção erétil por qualquer razão, o seu médico pode ajudar a determinar a causa raiz e tratá-la, por mais simples ou grave que seja. Tudo o que tem de fazer é falar com ele sobre isso.

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