Cancro da mama? Ajude-a assim!

Da suspeita à cura do cancro da mama, é a maneira como você age durante o processo que pode fazer toda a diferença para a sua mulher.

O perigo está à espreita…
Em Portugal, o cancro da mama é uma realidade preocupante, estimando-se que existam cerca de 5.000 novos casos todos os anos. Apesar de ser o tipo de cancro mais comum nas mulheres, a verdade é que também os homens podem ser afetados por esta doença. De acordo com Lynne Archibald, presidente da Associação Laço (www.laco.pt), “as hipóteses de ter cancro da mama aumentam com a idade mas é importante manter-se alerta, qualquer que seja a idade, pois diversos estudos têm demonstrado que quando o cancro da mama é detetado cedo, maiores são as hipóteses de tratamento e o resultado final é normalmente melhor”. Muitas das vezes não existe nenhum sintoma na fase inicial deste cancro, mas podem existir sinais de alerta, tais como “ a deteção de um nódulo (caroço) à palpação, o aumento progressivo e assimétrico de uma das mamas, alterações cutâneas (depressão, espessamento ou endurecimento da pele) localizadas, retração de um dos mamilos ou corrimento (branco amarelado ou sanguinolento) mamilar”, explica Lynne Archibald.

Jogue sempre pelo seguro
A antecipação é a sua melhor estratégia, por isso incentive a sua mulher a fazer o teste da palpação para despistar qualquer problema. Contudo, em caso de anomalia, não entrem em pânico e dirijam-se de imediato ao médico de família. Segundo a dra. Sofia Azambuja Braga, oncologista coordenadora da rede de Oncologia Saúde Cuf, em Lisboa, “nas mulheres que fazem rastreio e chegam à consulta com uma mamografia suspeita, são pedidos outros exames de imagem e uma biópsia”.

Quando uma mulher palpa um nódulo da mama deverá recorrer a uma consulta de mama ou ginecologia onde serão pedidos exames de imagem mamária.


Seja o melhor apoio dela

“Em todos estes momentos, o homem deve estar disponível e dar suporte emocional de forma incondicional”, aconselha a dra. Rute Agulhas, psicóloga e terapeuta familiar no Instituto Nacional de Medicina Legal, em Lisboa, e também professora assistente convidada no ISCTE-IUL, em Lisboa.
O estado emocional de uma pessoa doente pode influenciar de forma muito significativa a evolução clínica da perturbação, “pelo que é fundamental que a mulher sinta que continua a ser amada, independentemente do que possa acontecer com o seu corpo”, acrescenta a psicóloga.

Seja forte para passar força
O seu apoio é o mais importante! Ainda que ser o companheiro de alguém com cancro da mama seja um período difícil e conturbado, face à multiplicidade de sentimentos inerentes a uma doença como o cancro, é o tipo de apoio que você demonstra que pode influir na maneira como se lida com o diagnóstico. A fase da aceitação surgirá com o tempo, “dependendo não só dos recursos internos da mulher (autoestima, resistência à frustração e a forma como interpreta e pensa sobre as situações), mas também dos recursos externos. Face às emoções sentidas ao longo do tempo, é importante que o homem as aceite enquanto parte do processo e não as banalize (dizendo, por exemplo, que isso depois passa ou que está a exagerar)”, alerta a dra. Rute Agulhas. No fundo, o seu grande desafio será ajudar a sua mulher “a não se centrar apenas no sentimento de ameaça (face ao futuro) e de perda (face ao passado). Ajude a sua mulher a identificar e valorizar aspetos positivos nela e na sua vida, ajudando-a a distribuir responsabilidades, ou seja, a retirar de si própria a culpa e a responsabilidade pela doença”. Por vezes o diagnóstico nem é a parte mais difícil do processo, “mas sim o novo papel que você assume”, acrescenta a presidente da Associação Laço.

É natural o sentimento de negação, de descrença e de choque, seguindo-se uma fase mais depressiva, de tristeza, culpa, medo, ansiedade e até raiva.

Você é uma “ferramenta” da cura
Alguns homens tornam-se excessivamente protetores e outros assumem um papel quase paternal. Segundo Lynne Archibald, “poderá sentir que necessita descobrir tudo o que puder sobre o cancro da mama e manter-se positivo em todas as situações, evitando ao máximo questões difíceis ou negativas”. Mas este não é o melhor caminho. No ponto de vista da dra. Rute Agulhas, “as emoções menos boas também fazem parte da vida e, por isso, não tem de evitar chorar ou mostrar-se triste, mas deverá transmitir a ideia de que juntos, e com o suporte necessário, tentarão ultrapassar a situação”, complementa. O otimismo é muito (mas mesmo muito) importante na recuperação de uma pessoa com cancro.

Intimidade ainda mais íntima
Numa altura destas, falar sobre sexo e sexualidade com a sua mulher pode ser uma tarefa desconfortável, mas é muito importante estar disponível para falar sobre estes tópicos. “As mulheres podem sentir efeitos físicos e emocionais após o diagnóstico e o tratamento do cancro da mama – algumas sentirão mudanças na forma como encaram a sexualidade, que podem ocorrer durante semanas, meses e mesmo anos depois do tratamento terminar”, explica a presidente da Associação Laço. Todavia, nem todas as pessoas sentem o mesmo tipo de problema e “algumas mulheres até consideram que a sua vida sexual melhora porque se encontram numa situação que as faz realmente pensar acerca da sua sexualidade”, acrescenta.
Outra abordagem a ter em conta, segundo a psicóloga Rute Agulhas é “respeitar eventuais retraimentos da mulher, mas transmitindo sempre e de forma clara (é importante que isto seja verbalizado) que o sentimento que sente por ela não se altera em função da doença e eventuais alterações físicas”. Aconteça o que acontecer, lembre-se sempre da famosa frase proferida em qualquer casamento: “Nos bons e nos maus momentos”. Ainda que este possa ser um mau momento, depende da sua ajuda e apoio manter o otimismo até à cura. Faça a sua parte!

Cura com alta taxa de sucesso
Se é verdade que cada caso é um caso, dependendo dos fatores específicos do diagnóstico, também é verdade que quando é descoberto a tempo a probabilidade de cura é muito alta (mais de 90%), mas nunca é uma certeza. As diferentes fases ao longo do tratamento do cancro da mama passam pela “terapêutica local por cirurgia e radioterapia, seguindo-se a terapêutica sistémica com quimioterapia (se necessária) e antiestrogénios (se estiverem indicados) durante um tempo prolongado, geralmente cinco anos”, explica a oncologista Sofia Azambuja Braga. Depois de diagnosticado o cancro, “quanto mais tempo passar livre da doença, sejam dois, cinco ou dez anos, melhor e maior é a probabilidade de cura”, explica Lynne Archibald. Não existem datas mágicas e o grande problema do cancro é nunca se ter a certeza da cura, se bem que está provado que quando se atua a tempo, maiores são as probabilidades de poder viver uma vida longa e saudável após o cancro da mama.

Abordar o assunto, não receando expressar emoções negativas, é muito positivo.

Apoio profissional
O Movimento Vencer e Viver é um Grupo de apoio a mulheres com Cancro da Mama, seus familiares e amigos, constituído por um grupo de voluntárias que também já tiveram cancro da mama. Existe no âmbito da Liga Portuguesa Contra o Cancro e está presente no Sul, no Centro, no Norte, nos Açores e na Madeira. O objetivo é ajudar cada mulher a retomar a sua vida anterior através do apoio das voluntárias que dão apoio moral e prático àquelas que dele necessitarem, escutando, partilhando informação, desdramatizando a doença. Em complemento do apoio emocional, o Vencer e Viver tem diversos de materiais para ajudar as mulheres que tenham sido submetidas a uma cirurgia do cancro da mama: próteses, soutiens, mangas elásticas, soutiens/faixa pós-cirurgia reconstrutiva.
– Movimento Vencer e Viver (Beja – 284 322 144; Lisboa – 217 265 786; Porto – 225 084 000)
– Associação Laço (www.laco.pt)
– Liga Portuguesa Contra o Cancro (www.ligacontracancro.pt)
– Portal de Oncologia Português (www.pop.eu.com)

Se já passou por esta situação, tem conselhos úteis e positivos que queira partilhar com os restantes leitores?

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