Cancro da mama: 3 testemunhos reais

O apoio do homem é uma ferramenta crucial para qualquer mulher ultrapassar esta situação! Aprenda com estes três exemplos…

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    Seja forte para passar força

O seu apoio é o mais importante!
Ainda que ser o companheiro de alguém com cancro da mama seja um período difícil e conturbado, face à multiplicidade de sentimentos inerentes a uma doença como o cancro, é o tipo de apoio que você demonstra que pode influir na maneira como se lida com o diagnóstico.

A fase da aceitação surgirá com o tempo, “dependendo não só dos recursos internos da mulher (autoestima, resistência à frustração e a forma como interpreta e pensa sobre as situações), mas também dos recursos externos. Face às emoções sentidas ao longo do tempo, é importante que o homem as aceite enquanto parte do processo e não as banalize (dizendo, por exemplo, que isso depois passa ou que está a exagerar)”, alerta a dra. Rute Agulhas, psicóloga e terapeuta familiar no Instituto Nacional de Medicina Legal, em Lisboa.

No fundo, o seu grande desafio será ajudar a sua mulher a não se centrar apenas no sentimento de ameaça (face ao futuro) e de perda (face ao passado).

Ajude a sua mulher a "identificar e valorizar aspetos positivos nela e na sua vida, ajudando-a a distribuir responsabilidades, ou seja, a retirar de si própria a culpa e a responsabilidade pela doença”. Por vezes o diagnóstico nem é a parte mais difícil do processo, “mas sim o novo papel que você assume”, acrescenta Lynne Archibald, presidente da Associação Laço.

 

    Sofia Abreu, coordenadora nacional do Movimento Vencer e Viver , sobrevivente de cancro de mama há 14 anos

"O meu filho mais novo tinha já três anos e, apesar de ter dado de mamar por pouco tempo, sentia subidas de leite (como se estivesse a dar de mamar). Um dia, ao fazer a cama do filho mais velho (na altura com cinco anos) fiquei com a camisa de noite toda pingada de leite. Procurei o médico porque achei que algo não estava bem, mas nunca me passou pela cabeça que fosse cancro, afinal tinha 32 anos, tinha tido duas gravidezes, tinha dado de mamar e não tinha antecedentes familiares.

O meu marido esteve sempre a par de tudo o que fui fazendo: mamografias, consultas e suspeitas. Tinha microcalcificações e 99% de hipóteses de ter cancro da mama. Foi sempre um companheiro no verdadeiro sentido da palavra.

O diagnóstico só foi confirmado depois da cirurgia e, nessa altura, senti medo e insegurança, mas o meu marido deu-me o seu apoio para enfrentarmos juntos tudo o que pudesse vir a seguir. Ao longo de todo o processo (diagnóstico, tratamento, cura) a nossa relação ficou mais madura e mais fortalecida.
O tipo de apoio que necessitamos nesta altura é de um homem/companheiro que, independentemente do tipo de cirurgia e tratamentos a que a mulher é submetida, esteja envolvido, ouvindo e conversando sobre todo o processo e ajudando a mulher no que for preciso. Logo após a cirurgia, quando não podia tratar dos filhos ou da casa, o meu marido ficou mais sobrecarregado.
Apesar de termos consciência do que pode significar um diagnóstico de cancro de mama, sempre tivemos uma atitude positiva e de esperança. Fomos fazendo a nossa vida e aos poucos fomos recuperando a rotina familiar.
Relativamente às mulheres que passam por esta situação, apesar de ser uma fase difícil e assustadora, aos poucos vai-se recuperando. A medicina evolui todos os dias e cada vez há mais sobreviventes de cancro da mama. Quanto aos homens, sejam autênticos. Apoiem as vossas mulheres/companheiras, falando, ouvindo, informando-se, partilhando tarefas, estando presentes nas diferentes situações (cirurgia, tratamentos, consultas), sendo sempre meigos e carinhosos, respeitando".

    Amélia Tarré Aldeia, 51 anos e sobrevivente de cancro da mama há 11 anos

"Um dia de manhã no duche reparei que algo se passava de diferente com a mama direita. Senti algo que no dia anterior não tinha sentido. No mesmo instante chamei o meu marido para ele ver. A reação dele foi a mesma que a minha - ir de imediato à médica.

Quando o diagnóstico confirmou cancro da mama, fiquei muito triste e chorei um bom bocado, mas depois, como que por magia, comecei a andar para a frente e a querer ser operada o mais depressa possível.

O meu marido ficou muito triste, não só pela situação, mas porque achou que apenas dar apoio seria pouco, queria ajudar mais e não podia. Contudo, reagiu exatamente como eu gostaria que tivesse reagido, com calma e muito amor.
Ao longo de todo o processo (diagnóstico, tratamento, cura) a nossa relação ficou muito mais fortalecida. No entanto, a fase da quimioterapia não foi muito fácil e relembro os primeiros dois dias após o tratamento em que ficava um bocado em baixo e em casa ficaram todos muito preocupados. Todavia, senti o apoio incondicional por parte do meu marido, mas acredito que não existam regras para o apoio, tudo depende da relação existente antes da doença".

    Maria Bebiano, 53 anos e sobrevivente do cancro da mama desde 2008

"No dia 21 de setembro de 2007, por mera casualidade ao tomar banho suspeitei que poderia ter alguma anomalia no peito. Após a consulta e confirmação do diagnóstico senti muito medo de morrer, mas a primeira reação do meu marido foi de total apoio e de tratar a doença como “nossa”.

É muito importante o homem dar todo o apoio que a mulher necessite e, com isto, quero dizer que tem que estar atento aos seus silêncios, ao seu olhar, porque muitas vezes podem estar aí mensagens.

Um dos gestos que o meu marido teve que mais me ajudou a abstrair da situação foi cuidar da minha cicatriz nos primeiros dias, uma vez que eu não tinha coragem para me tocar. Não que me abstraísse da situação, mas minimizava esse sofrimento.
Relativamente às mulheres que passam pela mesma situação, recomendo que falem, que partilhem, que se deixem cuidar, ajudar. Que procurem os vários grupos de ajuda que existem e que tenham esperança. Quanto aos homens, aconselho-vos a serem amigos incondicionais, companheiros nos bons e nos maus momentos (que este processo tem) e que sejam amantes para que nos façam continuar a sentir que somos mulher".

    Nunca faça isto!

Se não deseja piorar a situação, eis o que não deve fazer:
- Evitar o assunto, porque é difícil de abordar.
- Transmitir à mulher que, com alterações físicas ao nível dos seios e/ou cabelo é menos desejável e atraente.
- Não respeitar as dúvidas e receios da mulher.
- Mostrar-se muito interessado ou comentar acerca dos seios e/ou cabelo de outras mulheres.
- Evitar ou pressionar para que haja contatos físicos e/ou sexuais com a mulher.

    Mas faça isto!

Para ajudar a ultrapassar o momento da melhor maneira possível:
- Esteja presente e assuma algumas tarefas que eram da mulher.
- Acompanhe-a a todas as sessões de quimioterapia e/ou radioterapia.
- Ajude-a a tratar do seu especto físico para aumentar a autoestima.
- Elogie-a, dizendo-lhe coisas bonitas e alegres.
- Incentive-a a sair e a distrair-se. Incentive-a a viver!

    Apoio profissional

O Movimento Vencer e Viver é um Grupo de apoio a mulheres com Cancro da Mama, aos seus familiares e amigos, constituído por um grupo de voluntárias que também já tiveram cancro da mama.
Existe no âmbito da Liga Portuguesa Contra o Cancro e está presente no Sul, no Centro, no Norte, nos Açores e na Madeira. O objetivo é ajudar cada mulher a retomar a sua vida anterior através do apoio das voluntárias que dão apoio moral e prático àquelas que dele necessitarem, escutando, partilhando informação, desdramatizando a doença. Em complemento do apoio emocional, o Vencer e Viver tem diversos de materiais para ajudar as mulheres que tenham sido submetidas a uma cirurgia do cancro da mama: próteses, soutiens, mangas elásticas, soutiens/faixa pós-cirurgia reconstrutiva.
- Movimento Vencer e Viver (Beja – 284 322 144; Lisboa – 217 265 786; Porto – 225 084 000)
- Associação Laço (www.laco.pt)
- Liga Portuguesa Contra o Cancro (www.ligacontracancro.pt)
- Portal de Oncologia Português (www.pop.eu.com)

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