Eis os benefícios que um animal de estimação pode trazer à sua saúde

16 Setembro, 2022

Animal

Alguns estudos durante a pandemia mostraram que existiu um aumento da adoção de animais de estimação durante este período, o que ajudou a diminuir o stress e a ansiedade típicos do cenário pandémico. Estas conclusões, que não são propriamente uma novidade, reforçam a ideia de que os animais podem ter um impacto positivo na nossa saúde ao longo da nossa vida.

Os benefícios podem ir desde “a promoção do desenvolvimento emocional na infância à manutenção das rotinas e da atividade física na terceira idade”, explica Mauro Paulino, psicólogo clínico e forense, coordenador do Módulo de Psicologia da Pós-graduação de Intervenção Assistida por Cães do Instituto Superior de Educação e Ciências, em Lisboa.

De acordo com o especialista, existem estudos que revelaram que esta relação entre o cuidar e o ser cuidado pode ter inúmeros benefícios não só para a saúde mental, mas também para a física como por exemplo a diminuição da tensão arterial e dos níveis de colesterol. Quando falamos de saúde mental, “existe um aumento do afeto positivo, dos níveis de relaxamento, otimismo, bem como dos níveis de humor e divertimento, sendo que o riso tem um papel facilitador nas relações sociais”, diz.

A arte de educar

Para que tenha benefícios desta relação é preciso passar pela parte mais desafiante, que é educar. Este é um processo que tem vantagens não só para o animal e para a relação que estabelece com ele, mas também para si (apesar de muitas vezes não parecer!).

Estabelecer este vínculo pode ser extremamente gratificante, útil e começa logo desde cedo. Na infância é explorado “o conhecimento de experiências como o nascimento, a morte e a sexualidade, bem como a aquisição de competências como a responsabilidade, o pensamento moral, a autonomia, a empatia e a preocupação com outros seres vivos”, diz-nos Mauro Paulino. Este contacto também leva a que seja explorado o espírito e a colaboração dentro da família, para promover o bem-estar de todos através de tarefas simples como comer, tomar banho ou passear.

Caso desvalorize a educação do seu animal, os resultados podem ser os contrários, pois o comportamento desajustado deste “acaba por destabilizar as relações entre os tutores e os animais, criando ansiedade e stress”, afirma Pedro Emanuel Paiva, docente coordenador no Instituto Superior de Educação e Ciências em Lisboa e fundador da Pet B Havior.

A educação precisa de ir ao encontro daquilo que é a satisfação das necessidades do cão enquanto espécie, mas um dos pontos mais importantes “é a não humanização do animal, ou seja, não interagir com o cão como se este fosse outro ser humano”, acrescenta. Colocar o animal à mesa ou dar da sua comida enquanto está a comer são alguns exemplos desta humanização que deve ser evitada.

Das escolas ao tribunal

Além dos benefícios em se ter um animal de estimação, estes amigos de longa data têm inúmeras vantagens para diferentes tipos de processos terapêuticos e não só. Pedro Emanuel Paiva relata o caso de uma criança autista com dificuldade de integração no contexto escolar e com competências pessoais muito afetadas que, depois de ter começado a fazer terapia assistida com cães, melhorou muito o seu desempenho não só em contexto escolar como também nas interações em casa, especialmente nos dias de intervenção com o animal.

Este tipo de intervenção pode surgir num contexto de saúde, de educação ou judicial. “A utilização do animal é feita por equipas multidisciplinares e mediante aquilo que é a sua especialidade vão redirecionar o contexto terapêutico, educacional ou judicial face àquilo que o animal possa aportar junto dos utentes”, explica Pedro Emanuel Paiva.

A terapia assistida com cães pode ajudar, por exemplo, em algumas situações de crianças vítimas de violência, em casos de bullying ou questões de identidade de género. “Todo o trabalho é desenvolvido em parceria com o psicólogo e o docente em que se identifica quais são as questões a nível escolar que estão a desencadear o problemas do bullying”, afirma o especialista acrescentando que, por vezes, muitas destas crianças acabam por se ‘fechar’ e que o cão é um elemento facilitador para uma abertura que ajuda a identificar o problema que depois será trabalhado com o psicólogo. Já Mauro Paulino explica-nos que os princípios da terapia assistida por animais indicam que o contato com os animais influencia positivamente a qualidade de vida das pessoas oferecendo um meio para a redução ou supressão de quadros clínicos de doenças psíquicas ou físicas e para um bem-estar maior.

No entanto, existem outros contextos em que os benefícios também são muito importantes, nomeadamente, o judicial. Mauro Paulino diz-nos que as vantagens sobre o recurso a cães facilitadores em tribunal vão desde a sala de espera até ao momento do testemunho. “A presença de cães facilitadores em contexto judicial ajuda a acalmar as vítimas e as testemunhas durante uma diversidade de procedimentos legais potencialmente stressantes, desde entrevistas forenses e exames médico-legais a comparências em Tribunal.

O objetivo principal passa por ajudar a prestar apoio, aliviar o stress e ansiedade das testemunhas, enquanto fornecem o seu depoimento, melhorando a qualidade e rigor dos relatos, que em muito iriam auxiliar a justiça”, explica Mauro Paulino.

Para todas as idades e pessoas

Como vimos as vantagens em se ter um animal de estimação começam logo desde cedo, mas o mais interessante “é que o papel destes animais de companhia tende a mudar e a evoluir em resposta às necessidades e expectativas e em função do ciclo de vida e do período de desenvolvimento em que a família se encontra”, explica Mauro Paulino.

Por exemplo, “as mulheres adultas com animais de companhia apresentam níveis de solidão inferiores às mulheres que vivem totalmente sozinhas. Recém-casados tendem a adotar um animal com o intuito de alcançar uma experiência próxima da parentalidade, adquirindo competências relacionadas com a alimentação, o afeto, o estabelecimento de limites e a gestão da preocupação. Já com filhos, os animais funcionam como recurso para a redução da ansiedade. E com idosos, os animais promovem a estimulação física e cognitiva”, explica

Outros Artigos



Outros Conteúdos GMG

Send this to friend