Só a ideia de perder o seu telemóvel assusta? Leia isto…

Conheça a fobia mais em voga dos últimos tempos. É que é muito provável que você pertença às estatísticas…

Introduza o PIN
Será que a ideia de perder o seu telemóvel lhe causa calafrios? Já cancelou alguma reunião importante porque teve de voltar a casa para ir buscar o seu telemóvel? Fica ansioso quando a bateria do seu telemóvel atinge os 10% e não tem nenhum carregador por perto?
Se a resposta a todas estas questões é “sim”, então é muito provável que sofra de nomofobia, ou por outras palavras, o medo de perder ou não ter o seu telemóvel por perto. Vamos saber um pouco mais…

Há quem não consiga deixar de atender o telemóvel durante as relações sexuais.

No mobile phobia
O termo nomofobia deriva da abreviatura em inglês “no-mobile-phobia” e, em plena época dos smartphones, é um tema cada vez mais real e com tendência para crescer. De acordo com a dra. Cláudia Sousa, psicóloga do instituto CUF porto, no Porto, “a nomofobia designa a ansiedade ou o desconforto causado pela incapacidade de comunicar por telemóvel. É uma perturbação do controlo dos impulsos com uma grande componente de ansiedade generalizada”. Por outras palavras, alguns dos diferentes sintomas traduzem-se pelo “medo de perder o objeto ou os dados pessoais que estão contidos nele, a angústia de separação associada à possível perda de contacto ou comunicação com alguém muito importante e, finalmente, a independência de um objeto transitivo que opera numa dimensão entre o ‘dentro’ e o ‘fora de si’, que pode servir como referência ou ancoragem”, acrescenta o dr. Jorge Gravanita, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica (SPCC).

Você pertence ao grupo de risco?
Caso tenha respondido afirmativamente às perguntas iniciais, tudo indica que sim. No entanto, “nem todas as pessoas são suscetíveis do mesmo modo”, refere o vice-presidente da SPPC. Tal como noutras dependências ou fobias, “a severidade da síndrome depende da vulnerabilidade da estruturação psíquica de cada um e do contexto relacional familiar e social”, acrescenta. Porém, os jovens estão cada vez mais expostos à nomofobia e, de acordo com a dra. Cláudia Sousa, “fatores pessoais como estados de ansiedade generalizada ou comportamentos obsessivos podem estar por trás do desenvolvimento desta fobia e este medo tende a surgir da necessidade que a pessoa tem em se sentir sempre contactável e com a possibilidade de contactar sempre quem quiser”, indica. Trata-se de uma perturbação “de uma dimensão predominantemente imaginária. Quer isto dizer que não resulta da ausência do objeto, mas sim da possibilidade dessa ausência e de tudo o que isso implica”, complemente o dr. Jorge Gravanita.

Estudos demonstram que os jovens entre os 18 e os 24 anos são os mais afetados, seguidos pela faixa etária compreendida entre os 25 e os 34 anos.

Fique atento aos sintomas
Os principais sintomas que podem indiciar esta fobia são “a necessidade de estar constantemente a olhar para o telemóvel, a verificação frequente de que não o perdeu, verificar obsessivamente se existem chamadas perdidas, SMS ou e-mails, deixar de fazer o que está a fazer para atender uma chamada, nunca deixar o telemóvel ficar sem bateria, tentar constantemente aumentar o tempo de bateria e, caso se esqueça dele em casa, voltar atrás só para o ir buscar”, explica a psicóloga Cláudia Sousa. Revê-se em alguma destas situações? Se sim, nem tudo está perdido, pois já há tratamento para a nomofobia.

Cure-se do vício… móvel
Um dos grandes problemas provocados pela nomofobia é a possibilidade de “criar um isolamento social e familiar. Surge uma maior vontade para a comunicação pelo telemóvel, computador e redes sociais do que pessoalmente. As pessoas tendem a deixar o que estão a fazer para atender o telemóvel, condicionam os convívios sociais com permanentes verificações do estado do telemóvel, interrompem almoços e jantares e há até quem não consiga deixar de atender o telemóvel durante as relações sexuais”, alerta a psicóloga.
Tal como noutras fobias, o tratamento é em tudo semelhante: “procede-se a uma intervenção precoce que consiste no acompanhamento por um psicólogo e/ou um psiquiatra, centrando a abordagem no combate à ansiedade”, refere a psicóloga. Neste tipo de situações, “torna-se fundamental o apoio psicológico para que a pessoa possa perceber qual o impacto que as novas tecnologias têm na sua forma de estar e comunicar e qual a melhor forma de lidar e comunicar emoções e sentimentos que sofrem perturbação com o uso abusivo dos telemóveis”, acrescenta o dr. Jorge Gravanita.

19% dos portugueses leva o telemóvel para a cama.

A realidade portuguesa
Os resultados mais recentes do Barómetro de Telecomunicações da Marktest revelam que a taxa de penetração de telemóvel em Portugal ronda em 92%, contabilizando mais de oito milhões de pessoas com posse ou utilização do telemóvel. Por sua vez, e segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os portugueses não dispensam mesmo o telemóvel, especialmente para enviar e receber e-mails (70%), se bem que o acesso às redes sociais não fica muito atrás (63%). Ainda assim, um pouco mais de metade também recorre ao telemóvel para ler notícias e navegar pelo conteúdo temático de jornais e revistas. E qual é a altura preferida para consultar o telemóvel? A julgar pelas pessoas que nos rodeiam, poderíamos dizer que é a toda a hora, mas de acordo com um estudo efetuado pela Kaspersky Lab, a maior companhia antivírus da Europa, que inquiriu 2748 utilizadores de Portugal, França, Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido, 62% dos portugueses confessam usar o telefone durante o jantar. Se pensarmos que existe uma taxa de penetração de telemóvel a rondar os 92%, será que estamos a perder a tradição de ter uma boa conversa ao jantar e partilhar os momentos bons do dia? Mas pode ser ainda mais grave, pois o mesmo estudo também revela que 19% dos portugueses leva o telemóvel para a cama. Esperemos que não faça parte desta estatística…

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