80% da população já teve este vírus!

Existe um vírus que é um inimigo muito perigoso e que vive oculto entre nós há vários anos. Saiba como evitá-lo!

O HPV, ou Vírus do Papiloma Humano, “é um vírus do ADN, que sobrevive no corpo humano, reproduzindo-se em células vivas”, explica a dra. Carmo Ornelas, responsável pelo laboratório de virologia no Instituto Português de Oncologia (IPO), de Lisboa. A sua forma externa, que é apenas visível através de microscópio, é composta por uma “cápside viral formada por duas proteínas: L1 e L2”, indica a dra. Gabriela Sousa, oncologista no IPO de Coimbra e Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia. A sua incidência no mundo é gigantesca, sendo mesmo “considerado o segundo carcinogéneo mais importante, logo a seguir ao ‘temido’ tabaco”.

Diferentes meios de transmissão
Em termos sexuais, não é necessário haver penetração para se transmitir este vírus. As carícias, preliminares ou mesmo o sexo oral são suficiente. A transmissão “ocorre geralmente através do contacto sexual, pele com pele ou mucosa com mucosa. No entanto, este vírus apenas pode ser transmitido através de contacto com a pele quando existem feridas ou fissuras que podem ou não ser visíveis a olho nu, abrigando o vírus”, afirma a dra. Carmo Ornelas.
Quando falamos em contágio por via sexual, o HPV “penetra no organismo através de microtraumatismos, que costumam produzir-se durante as relações sexuais, afetando ambos os sexos. As pessoas mais suscetíveis de contrair infeção pelo HPV são as pessoas sexualmente ativas, especialmente as que têm muitos parceiros sexuais”, refere a dra. Gabriela Sousa.

80% da população mundial já teve (ou virá a ter) contacto com o HPV, pelo menos, uma vez na vida.

Não facilite. O HPV é muito perigoso
O principal perigo deste vírus “é a resistência da infeção. Até aos 30 anos, os vírus são normalmente transitórios e benignos, o que já não acontece depois dessa idade”, explica Carmo Ornelas. A maioria das “infeções por HPV desaparecem espontaneamente ao fim de um ou dois anos. Apenas uma pequena percentagem (5-10%) das infeções persiste por vários anos, representando um risco acrescido do desenvolvimento de cancro”, acrescenta a dra. Gabriela Sousa. É verdade que algumas pessoas são mais suscetíveis a este vírus do que outras, como por exemplo aquelas que “apresentam um deficit no sistema imunitário, isto é, quando as defesas naturais do corpo não conseguem combater as infeções por si próprias”, explica a dra. Carmo Ornelas. É importante referir que este “é um vírus altamente resistente. Um caso de uma pessoa com mais de 35 anos que mantenha uma lesão causada por HPV pode ser realmente preocupante, além de que a hipótese deste vírus regredir após os 35 anos ser muito menor”, defende.

Como se manifesta
O HPV “afeta a pele e mucosas, ou seja, zonas genitais, anais e na cavidade oral. No caso do homem, pode associar-se ao cancro do pénis”, comenta a dra. Gabriela Sousa. Este vírus manifesta-se de duas formas distintas. Por um lado, através do “subtipo de baixo risco menos perigoso, já que as lesões provocadas têm baixo potencial de se tornarem malignas. Por outro lado, através dos subtipos de alto risco, associados ao desenvolvimento de lesões malignas que provocam lesões pré-malignas e cancro invasivo”, afirma . Os primeiros subtipos manifestam-se geralmente “através de condilomas externos (verrugas genitais) que podem ser vistas a olho nu e são altamente incomodativos”, refere.
Os condilomas “surgem na mucosa genital, ânus, vulva, uretra, pénis, vagina ou colo do útero e apresentam-se de várias formas, desde lesões mais exuberantes com aspeto em ‘couve-flor’, a lesões muito pouco visíveis, apenas detetadas por lentes especiais (colposcopia)”, explica a dra. Gabriela Sousa. No entanto, estes sintomas são sempre tratáveis e apresentam baixo risco.
A dra. Carmo Ornelas refere ainda que nos últimos 20 anos “existiu uma grande mudança na distribuição do vírus HPV na região da cavidade oral. Antigamente, este vírus estava muito ligado a má dentição, ao álcool e ao fumo, e agora constata-se a presença do vírus em homens que não apresentam nenhum dos problemas acima apresentados”.
Já a dra. Gabriela Sousa afirma que “o aumento do cancro da orofaringe, associado ao Vírus do Papiloma Humano, poderá estar relacionado com o aumento da incidência de sexo oral verificado em idades cada vez mais jovens”.

O tratamento depende da lesão sofrida
Caso suspeite de alguns dos sintomas acima apresentados deve recorrer ao seu médico para que o vírus possa ser tratado corretamente e para que a lesão não persista e se torne de risco. Para as verrugas genitais são aconselháveis “soluções ou cremes para uso externo, sempre sob a supervisão de um médico. No entanto, pode haver necessidade de recorrer à cirurgia, à crioterapia, à cauterização elétrica ou ao laser para tratar eficazmente a lesão, afirma a especialista. Não se esqueça: uma vez
que este vírus é sexualmente transmissível é fulcral que também a sua parceira faça o tratamento indicado.

A prevenção é a sua melhor arma
A prevenção do vírus HPV consiste na injeção de duas vacinas: “uma tetravalente dirigida a quatro subtipos do vírus e outra bivalente, específica para dois subtipos do vírus”, refere a dra. Gabriela. Apesar de fazerem parte do Plano Nacional de Vacinação, estas vacinas têm em vista a prevenção em jovens do sexo feminino e podem (e só devem) ser adquiridas mediante receita médica. No entanto, apesar de ter uma taxa de sucesso elevada entre mulheres, o mesmo não acontece com o universo masculino. A especialista alerta ainda para o facto da vacinação não ser recomendada em indivíduos do sexo masculino, ainda que esta questão esteja em aberto.
Outro aspeto que merece uma maior atenção é “reforçar a ideia da importância do uso de preservativo, já que este confere considerável proteção da infeção por HPV, sendo altamente aconselhado o seu uso nos jovens”, relembra a dra. Gabriela.

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